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A bem da Nação

NATAL

 

Local do Presépio, Basílica da Natividade, Belém

 

Época de meditar um pouco... mais!

 

É sempre época de meditar. Saber quem somos e para onde vamos. E como.

 

Quantas vezes nos perguntamos sobre o que andamos a fazer neste Mundo para ganhar o “descanso eterno”? E não são só os cristãos ou indivíduos de outras religiões, mas ateus também. Ninguém sabe.

 

Teilhard de Chardin, deve ter sido o primeiro homem a compreender a evolução como obra de Deus, e a dar uma explicação profunda e simples sobre o assunto.

 

Jesuíta, foi mandado calar pelos “sábios” da Cúria do Vaticano, aquele antro que pouco mais tem feito do que afastar bons cristãos e exibir opulência, o oposto do que Cristo pregou!

 

Nesta época do ano, quando é suposto que o Natal seja a festa da Família, parece ser o momento mais indicado para que se medite um pouco sobre o que desconhecemos, e continuaremos a desconhecer enquanto seres viventes, terráqueos. Assim mesmo meditar faz bem.

 

Amar a Deus e o próximo, não é apenas um ato de veneração ou misericórdia sobreposto a nossas outras preocupações individuais. É a própria vida, vida na integridade de suas aspirações, suas lutas e conquistas.

 

O Deus transcendente e pessoal e o universo em evolução, formam dois centros de atracção de opostos, mas entram em conjunto para levantar a massa humana num final único.

 

Pierre Teilhard de Chardin SJ.jpg Teilhard de Chardin, um profundo pensador, teólogo, paleontólogo, geólogo, enfim um dos maiores sábios do século XX, um génio, deixou-nos uma quantidade de livros, cada um talvez mais profundo que o outro, onde veio esclarecer um dos pontos de maior discussão de toda a história religiosa.

 

Neste texto algumas passagens dos seus pensamentos.

 

Os defensores da teologia natural explicavam a ordem do mundo através dum Deus criador e ordenador, garante da harmonia universal. A partir do séc. XVII, cada nova descoberta científica levava a fazer de Deus uma hipótese cada vez mais inútil face a um mundo naturalmente coerente, racional e harmonioso, tornando a “posição” divina supérflua, já que o cosmos apresentava sozinho o rótulo de garantia.

 

A fenomenologia de Teilhard apresenta, objectivamente, uma reintegração ulterior da ideia de Deus – evolucionismo generalizado, que se aplica ao cosmos inteiro, e evolucionismo espiritualista que nos mostra um crescer para a luz que ilumina as consciências, cada vez mais claras e autónomas, evolucionismo convergindo para uma maturação do mundo.

 

Isto não implica nem impõe Deus, mas liberta uma crise existencial da qual Deus pode ser a solução.

 

A ciência já nos disse que o mundo, pelo menos o nosso, acabará um dia, porque já se sabe que as estrelas têm o seu ciclo de vida evoluindo para uma espécie de morte – matéria degenerada, ultra densa, etc. O fim do nosso sistema solar é uma questão de mais uns milhões ou biliões de anos.

 

Então para quê qualquer esforço humano se ele já sabe que acabará num apocalipse qualquer?

 

Assim, Deus, que a ciência quis exorcizar, reaparece, não mais na origem do cosmos, mas no fim dele, através duma reacção existencial, não científica, mas ditada pela ciência. Este é o grande mérito de Teilhard, de ter colocado correctamente o problema da relação entre a ciência e a fé em Deus, fazendo assim de Deus, aos olhos dos homens do século XX, o “futuro absoluto”.

 

Se se falar a um marxista ou ateu dum Deus Alfa, ele nem quer ouvir, mas se lhe falar num Deus Ómega, mesmo que ele não seja partidário dessa opinião, vai aceitar discutir o problema.

 

O que Teilhard de Chardin nos quer com isto dizer, é que a humanidade ainda não terminou a sua evolução, e que a cooperação científica, tal como começou a ser praticada abriu perspectivas prodigiosas.

 

As pesquisas geológicas de Teilhard fizeram-no descobrir experimentalmente a realidade maravilhosa do tempo cósmico.

 

Tal como a deriva dos continentes, extremamente lenta, nos mostra que a evolução do homem vem sendo feita na mesma “velocidade”, ou lentidão.

 

África e América do Sul estão se afastando a uma média de 2,5 centímetros por ano, assim como a Itália está a entrar por baixo dos Alpes e o sub continente indiano dos Himalaias. Num milhão de anos “andaram” somente vinte e cinco quilómetros. Para a pequenez humana, todos os continentes estão aparentemente parados, mas há 250 milhões de anos o Rio de Janeiro estava encostado a Luanda!

 

Tudo isto nos ajuda a questionar que se Deus, por acaso, nada tem a ver com o Big Bang, Alguém teve, e se a Terra tem 4,5 biliões de anos da existência, e o homem só uns centos de milhares, devemos então pensar, na certeza de que um dia o nosso Sol morrerá, e que tendo havido uma evolução desde o começo do Mundo, uma evolução física, científica, o homem só aparece quando lhe é possível a vida.

 

Apareceu, um homem bruto, que a certa altura começou a questionar-se sobre a finalidade da sua vida, sem ter feito paralelos entre a evolução científica e a sua, moral.

 

Pouco ou nada se sabe sobre o aparecimento do homem “pensante”, mas sabemos que desde há muitos milénios ele “sabe” que o mundo acabará num apocalipse!

 

Se nos limitarmos aos pensamentos marxistas ou ateístas, que colocam os homens ao mesmo nível dum vegetal, que nasce, cresce, vive e morre, sem qualquer perspectiva no Além, então não vale a pena “inventarmos” por exemplo organismos como as Nações Unidas, nem continuar a meditar sobre a nossa passagem na Terra. Cada um que se vire por si mesmo, que roube, mate, etc.!

 

O pensamento de Teilhard, ao afirmar que a evolução biológica vai desembocar na liberdade humana, abriu uma porta que consegue conciliar a evolução física, científica, com a evolução do pensamento, do conhecimento, e se caminhamos todos para o mesmo fim, então lá, no apocalipse final, Deus estará à nossa espera.

O homem anda feito louco à procura de outro planeta para onde “emigrar”, sabendo somente, por enquanto, que um dia, num instante, ele “emigra” para o Além.

 

Parece, em função do tempo de vida útil do nosso Sol – segundo alguns pesquisadores pouco mais de 1 bilhão de anos, porque depois vai aquecer brutalmente e a seguir arrefecer – que a humanidade ainda tem pela frente muito tempo para que todos, TODOS, se amem uns aos outros, que esqueçam guerras, roubos, crimes, etc. para, finalmente poderem ver a Face de Deus, e, entretanto, amem o que nunca veremos duas vezes como disse Alfred de Vigny (1797-1863).

 

A Terra vai continuar a evoluir até chegar ao tal inevitável fim. Para que todos se olhem como irmãos, é triste pensar que isso vai demorar uns milhões ou biliões de anos, pressupondo-se que a humanidade evolua nesse sentido.

 

E a seguir o que vai acontecer? Quando acabar a vida na Terra?

 

O espírito de Deus, o Sophos, o Spiritus, vai soprar em um qualquer outro planeta! Já deve ter soprado.

 

Para que todos se reúnam com o Deus absoluto e infinito, parece que ainda terá tempo para a humanidade viver em “humanidade”!

 

É mentira, não têm. O que conta é o tempo cósmico. Sem relógio, nem princípio, nem fim. Nem antes, nem depois, É sempre “agora”.

 

É sempre hora de começar, e o Natal é o momento indicado para, ou começar ou para nos aperfeiçoarmos.

 

Bom Natal a todos, sobretudo àqueles que mais sofrem, por doença, guerra, abandono, miséria e, sobretudo por falta da nossa compreensão e aceitação do Outro.

 

Por falta da nossa humanidade.

 

Por falta de um abraço amigo, sincero, caloroso, que aproveito para mandar a todos.

 

Aos amigos e aos Outros.

 

Dez. 2015

 

FGA-2OUT15.jpg

Francisco Gomes de Amorim

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