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A bem da Nação

NASSER

 

O Saará é um absurdo

Quando o Professor Joaquim Laginha Serafim (Loulé, 1921-Lisboa, 1994) fez 60 anos, os amigos e colegas apresentaram-l  mais emblemáticos[i].

Gamal Abdel Nasser (1918-1970), Homem de Estado egípcio, teve muitas qualidades e alguns defeitos, o pior dos quais foi ter morrido cedo[ii]. Uma das qualidades que teve foi a de fazer construir a barragem de Assuão com a qual constituiu uma enorme reserva de água doce assim regularizando o caudal do Nilo permitindo o regadio onde historicamente imperava o deserto.

A enorme barragem foi um marco fundamental no combate ao deserto e serve de exemplo ao que poderia ser o norte de África se os dirigentes políticos do Magreb e do Makresh tivessem hoje a visão de Nasser.

Quem hoje navegue no Mar Vermelho ao longo das costas egípcias e percorra o Canal de Suez, verificará que ao longo de toda essa enorme extensão, existe uma linha verde para alguma contenção das investidas do deserto e para mostrar que, mesmo ali, em zonas inóspitas, a água doce faz maravilhas.

Entretanto, a ciência e a tecnologia avançaram enormemente e muitos casos haverá em que, perante a inexistência de linhas de água doce, a irrigação se possa fazer sem recurso a lençóis subterrâneos de «águas fósseis» como fez Kadhafi, mas apenas pela dessalinização da água do mar.

Sem desmerecer todas as experiências já realizadas com a dessalinização da água, convenhamos que, aplicando a energia solar (ou eólica) ao processo da evaporação-condensação, o Saará deixou de ter legitimidade para continuar a ser uma realidade geográfica limitadora da vida e poderá ser transformado numa região, se não aprazível, pelo menos com aceitáveis níveis de humanização.

E que poderá acontecer uma vez «domado» o Saará?

  • Redução da pressão sobre o «aquecimento global»;
  • Criação de condições de habitabilidade hoje inexistentes;
  • Criação de riqueza agrícola em áreas actualmente estéreis;
  • Fixação de populações que actualmente assediam a Europa;
  • Ocupação produtiva de populações actualmente ociosas se não mesmo esmoleres que assim deixam de depender do Zakat[iii] e consequente perda de influência dos pregadores radicais.

Eis algumas das razões pelas quais me parece que a Europa tem todo o interesse em promover a irrigação do Saará. S

Contudo, se Portugal lançar a ideia, certo será que os «gulosos» e nada solidários parceiros europeus nos passarão a plano terciário apenas nos deixando algumas migalhas. Ou seja, a ideia deverá ser avançada por nós nas reuniões bilaterais que ocorram com os Governos do Magreb (Marrocos, Tunísia e Argélia – e Mauritânia?) e do Makresh (Egipto, Líbia-Trípoli e Líbia-Tobruk).

À consideração do Ministério dos Negócios Estrangeiros e de algum empresário que por aqui passe e seja tão ou mais sonhador do que eu.

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

 

 

[i] - Por incrível que pareça, a Wikipédia não refere esse projecto em https://pt.wikipedia.org/wiki/Laginha_Serafim

[ii] - Para recordar mais, ver https://pt.wikipedia.org/wiki/Gamal_Abdel_Nasser

 

[iii] - Esmola muçulmana obrigatória destinada ao amparo dos desvalidos e ao financiamento do clero

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