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A bem da Nação

NA RUA DOS NAVEGANTES - 2

Ficou célebre a frase de Vasco da Gama em que ele disse que «Há homens para tudo, até para andar ao mar».

Foi já no século XX que o meu avô conheceu um Comandante da Marinha Mercante que, em serviço, usava habitualmente um chicote.

* * *

Nem todas as ondas foram sempre cavalgadas por nobres cavalheiros e heróis, também as houve  galgadaspor plebeus, vilões e quejandos «de quem sõ Deus sabe»…

Seria bonito dizer aqui que é gloriosa a saga de um povo que cavalgou os mares para conquistar o mundo mas a realidade não se fica por aí: moldou-se pela necessidade do ganho de dimensão que nos permitisse a defesa contra a cobiça do vizinho ibérico, pela fuga da fome causada por terras curtas e magras, enfim, por aqueles que, depois de algumas doses de carrascão do Cartaxo, adormeciam à porta das tabernas lisboetas e acordavam com o balanço das naus fazendo já parte das tripulações. E, contudo, todos serviram a causa.

Uma das maiores fraudes intelectuais que hoje podemos cometer é o julgamento da História ao abrigo dos actuais conceitos éticos, nomeadamente a questão da escravatura.

O Império que os nossos navegantes construíram foi eminentemente comercial e marítimo. A componente terrestre foi sobretudo uma consequência, não um propósito.  As especiarias e os escravos eram as «commodities» de então que os nossos mareantes compravam ali para vender acolá… e os mares não tinham fim…

Quem foram os comerciantes portugueses que colaboraram na reconstrução de Jakarta depois de vizinhos malignos a terem arrasado? Quem foram esses embarcadiços que colaboraram na saga do dente de Buda no regresso a Candi?  Quem foram, Cavalheiros ou de outras condições, que criaram e fizeram funcionar os 17 hospitais de apoio à rota da Índia entre Tavira e Baçaim? Quem foram os soldados e marinheiros algarvios daquém e dalém mar em África que se perderam com Gaspar e com Miguel Corte Real nas imensidões do Atlântico Norte? Quem foram os que morreram com Bartolomeu Dias? Tantos… muitos mais do que todos aqueles que ficaram na História. E, contudo, todos eles fizeram História. Então, já que o «Padrão dos Descobrimentosc» elebra os feitos dos gloriosos, façamos da Torre de Belém o  «Memorial ao Navegante Desconhecido».

6 de Setembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

 

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