NA OCIDENTAL PRAIA LUSITANA -4
Hoje, pela manhã criança, as gaivotas estavam encolhidas na areia e só eu me aventurei a molhar os pés. Sábias gaivotas! Fiquei transido e com os artelhos a doer. Recolhi à duna e lembrei-me do Professor Marcelo que escolheu os banhos de mar ao longo de todo o ano para dar nas vistas. Transido, resguardei-me numa ravessa da duna e esperei que o Sol aparecesse por cima dos pinheiros no topo da arriba. E, ali, parado, bem longe de qualquer prazer, sem nada que fazer, para além de tentar recuperar algum calor, dei por mim a pensar no ócio.
O ócio é o «pai» de todos os vícios nas mentes boçais, mas os pensadores anacoretas provam o seu contrário. E cá estamos novamente na conclusão de que as coisas não são boas ou más por si próprias, mas são no conforme o uso que delas fazemos.
Passo serenamente pelo ócio benigno e pelo falso ócio, o contemplativo, mas detenho-me frente ao outro, o funesto. Este, o ímã dos ignaros e boçais, das mentes viciosas e doentes, das perversas e das rudes.
Eis por que os estabelecimentos prisionais deveriam ser divididos hermeticamente em Ala Escolar, Ala Demencial e Ala Ginasial, em todas com terapias ocupacionais concebidas adrede e visando a reintegração social do «Paciente»; em todas reduzindo sistematicamente o ócio. Assim seria a diálise social a substituir as actuais «escolas de refinamento da malandragem».
NOTA FINAL – Dito há uns tempos por um Técnico de Reinserção Social numa TV que «se as escolas prisionais tivessem o dobro da capacidade, as filas de espera não acabariam».
* * *
Soluções à vista em próximo texto sem que o Estado abra falência.
Julho de 2025
