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A bem da Nação

NA GUERRA DAS LARANJAS

 

Miguel Távora.jpg

Filho do então Marquês de Abrantes, o Senhor D. Miguel da Lancastre e Távora, já então cavaleiro de se lhe pôr um olho em cima, teria entre 15 e 16 anos de idade e foi convidado nos idos de 60 do século anterior para ir passar umas férias escolares de Inverno na Quinta da Torre Bela, propriedade dos Duques de Lafões.

 

E foi então que me veio à ideia a Guerra das Laranjas.

 

Vamos à História...

 

O último Távora.png

 

Quando os seus avós, os Marqueses de Távora, subiram ao cadafalso de Belém, Pedro de Almeida Portugal era ainda um menino. Durante dezoito longos anos ainda ficou longe da família: o pai foi encarcerado no Forte da Junqueira e a mãe e irmãs fechadas no lúgubre Convento de Chelas.

 

Foi sob o signo de muitas contradições que começou a vida do futuro 3º Marquês de Alorna. Távora e de condição aristocrática, protagonizou os episódios políticos mais marcantes do seu tempo, nomeadamente a fuga da Côrte para o Brasil e as Invasões Francesas. Um enredo de intrigas, maldições e invejas, durante muito tempo escondido no emaranhado da História, levou o entretanto nomeado Marquês de Alorna e muitos outros companheiros a juntarem-se aos franceses, combatendo na Europa, participando na 3ª Invasão e partilhando o terrível destino do exército de Napoleão na campanha da Rússia.

 

* * *

 

E quem comandava então a política de defesa em Portugal? Exactamente o Duque de Lafões que, sendo membro do Conselho Régio em representação da Corte Portuguesa exilada no Brasil, proibiu as tropas comandadas por D. Pedro de Almeida Portugal de intervirem contra as forças franco-castelhanas as quais, ao longo da fronteira com Portugal, se encaminhavam de Cáceres para tomarem Olivença. E o herdeiro dos Marqueses de Távora, do lado de cá da fronteira, a ver toda a manobra inimiga mas proibido de agir. E assim foi que o verdadeiro inimigo de Portugal foi identificado com a inépcia do poder instituído passando a caber a Napoleão a preferência dos bravos que por cá ainda havia. Absurdos da circunstância que só quem nela se vê metido consegue decifrar. A velha ordem estava podre, viesse uma nova ordem que pusesse os inaptos na valeta da História.

 

Só que, afinal, acabou D. Pedro por morrer em Königsberg, na Prússia Oriental, aquando da retirada napoleónica daquela que foi a aventura russa do pequeno corso.

 

* * *

 

Então, quando eu ainda era jovem mas já conhecendo algumas passagens da vida de Portugal, ver um Távora a passar férias em casa do Duque de Lafões, fez-me logo pensar que estávamos perante um curto-circuito na História de Portugal.

 

Conclusão? Sim! A de que, a bem da Nação, há ainda muitas pazes a fazer...

 

Novembro de 2016

Uruguai-Piaffer 2.jpg

Henrique Salles da Fonseca

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