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A bem da Nação

MOÇAMBIQUE REVISITADO – 2

Eros para elas e Freia para nós, homens. Bem procurei as divindades homólogas da mitologia moçambicana. Debalde. Aliás, sempre achei que o paganismo em Moçambique não tem vida fácil. Mas isso não deveria obstar a que se estudasse essa parte da Cultura. Para quê se já não tem expressão? Mas certamente já teve e desconfio que deixou rastos. Não deixou? Sim, deixou! Se não, donde vêm os Xiquembos? É claro que sim, a cultura moçambicana tem o seu quê de pagão com todo o misticismo e mistério inerentes. Deveria ser giríssimo estudar isso. Quanto mais não fosse para reconstituição histórica, cultura geral. Bom tema para uma Universidade da Terceira Idade. Aqui fica a sugestão.

E a pergunta é: - A que propósito vem isto aqui quando o que se pretende é uma visão do que deixou saudades e motivou a revisita?

E a resposta é: - Todos gostamos de voltar aos locais por que vogámos prazenteiros e tanto Eros como Freia foram muito bem achados na circunstância.

E quem eramos nós, os que lá vivíamos? Muitos e variados, uns daqui, outros dali, muitos de lá mesmo. Maioria castanha, não zulu que esses, sim, são mesmo pretos da cor da noite. O moçambicano é mais claro. Mas para não dizer muito disparate, fui à Internet e encontrei bastante informação. Escolhi esta que segue donde saquei o mapa que publico de seguida

https://terrasdemozambique.wordpress.com/2012/08/22/finas-misturas-de-um-povo/etnias-em-moz/

etnias-em-moçambique.png

 

Assim alijo parte da responsabilidade nos erros que alguém detecte. E eu próprio pergunto se os macondes de Cabo Delgado são macuas como o mapa dá a entender…. Venha quem saiba e nos ensine. Os moçambicanos pretos (deixemo-nos de eufemismos amaneirados) com quem contactei foram os macuas de Nampula e os landins de Lourenço Marques. Estes, seriam de várias etnias que eu associo aos xhosas mas o melhor é calar-me para ter a certeza de não dizer muitos disparates.

Os moçambicanos não pretos eram brancos, mistos, indianos e chineses.

Como já contei numa crónica anterior, não era qualquer branco de Portugal que emigrava para Moçambique só porque lhe apetecia. O Governo do Doutor Salazar não facilitava essa emigração e quem o antecedeu no mando em Lisboa também navegava pelas mesmas águas. Porquê? Não vou agora alargar-me com isso, apenas constato o facto que se traduzia numa «escolha» apertada de quem podia seguir para Moçambique. Funcionários públicos (incluindo professores), militares, funcionários superiores das «companhias majestáticas» (enquanto as houve) e técnicos da mais ampla hierarquia chamados para o exercício de funções específicas. O Zé dos Pincéis ali da esquina não era autorizado a emigrar para lá. Que fosse para Angola.

Ou seja, o branco em Moçambique ou era ele próprio membro de um escol elitista (passe o pleonasmo) ou era seu descendente. Uma parte numericamente insignificante descendia de quem, condenado na Metrópole e deportado, readquirira a liberdade ao pisar o solo africano. Mas esta «experiência» ao estilo anglo-australiana não fez escola maior por lá. O que chegou a ter algum significado foi a quantidade de militares do contingente metropolitano que decidiam passar à disponibilidade em Moçambique em vez de regressarem a Portugal. Nas «sombras verdes» de Nampula, havia muitos desses ex-militares com família mono ou poligâmica, pululante filharada mulata, tranquila existência em condições bem mais benignas do que as homólogas nas gélidas berças estaminais mais de mistura com rezes do que com gentes. Estes, assimilados, não pertenciam ao escol que há pouco referi mas foram eles que, na base social, muito contribuíram para que nós, portugueses, tendo sido os primeiros europeus a trilhar caminhos em África, fossemos os últimos a regressar às origens. Muitos, com uma mão à frente e a outra a trás.

E se a independência significou a instauração de um clima revolucionário com perseguições, exílios, campos de «reeducação» e morte, lá veio a pergunta inocente, ávida de paz: - Patrão, quando acaba independência?

(continua)

Julho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

2 comentários

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    Henrique Salles da Fonseca 30.07.2019 11:46

    Helena Salazar Antunes Morais
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