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A bem da Nação

MERDEKA – 7

 

Nascidas nos meus tempos livres, estas croniquetas destinam-se aos tempos livres de quem as lê, devem ser leves, despretensiosas, não chatas. Apenas uma preocupação: a de cumprir as regras da Sintaxe e da Semântica daquele a que chamo o «português padrão». É que, mesmo em literatura de cordel, as regras gramaticais são para cumprir. E os linguistas - que com a sua «doutorice» cabimentam as burradas que tanto se propalam com base no sofisma de que «basta que alguém diga para que a fórmula exista» - que se danem. Quando esses intelectuais linguisticamente desordenados (para não dizer desleixados ou permissivos) deixarem de se entender com quem os rodeia, terão que fazer com a nossa língua o que os indonésios fizeram para se entenderem uns com os outros inventando uma língua comum. Ora bem, essa língua já existe e é o português padrão que se escreve em conformidade com o Acordo Ortográfico de 1945 e não com o absurdo de 1990.

 

Pode este preâmbulo parecer descabido nesta crónica sobre a minha viagem à Indonésia mas, na verdade, bem me lembrei de toda esta questão da língua comum quando soube do artificialismo do «bahasa indonesia».

 

E assim cogitando foi que, sem sairmos de Java, partimos de Jakarta para Yogyakarta num voo de mais de uma hora. Sim, as distâncias por ali não se medem com timidez.

 

A cidade tem características urbanas muito semelhantes às da capital nacional mas tem uma particularidade que eu não estava minimamente preparado para ouvir: trata-se da sede de um Sultanato.

Yogyakarta-Prambana.jpg

Templo hindu de Prambana, Yogyakarta

Um puzzle em minuciosa reconstrução depois de recolhidas e identificadas as pedras que por ali estavam ao abandono

 

E a pergunta que se impunha era: - Mas o Estado Indonésio não é laico?

 

A resposta não se fez esperar: - Sim, é laico mas não jacobino, não agride a cultura popular.

 

Eu insisto: - E o Sultão governa mesmo?

 

A guia responde: - A principal função do Sultão é a de ser o guardião da cultura e da tradição.

 

Pensei (mas não disse) que por ali o Sultão corresponde ao nosso Secretário de Estado da Cultura.

 

A guia adivinhou a minha insatisfação e completou a informação: - Aqui, na província de Yogy, o Governador é o Sultão que preside ao corpo legislativo que, esse sim, é eleito por sufrágio directo provincial. O mesmo se diga das Autarquias cujos órgãos também são eleitos por sufrágio directo local. O Sultão de Yogy é o único Governador (provincial) que em toda a Indonésia tem um mandato vitalício e hereditário. Mas agora há um problema: o actual Sultão só tem cinco filhas e nenhum filho varão. Ninguém ainda sabe como vai ser a sucessão. Talvez nem o próprio. É que por ali funciona o equivalente à Lei Sálica (https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_s%C3%A1lica) e…

 

Na falta de solução por que pudessemos almejar no prazo da nossa presença em Yogy, deixei cair o tema e passei à frente…

 

Nota final em «economês»: quando a dívida externa portuguesa per capita era de US$ 47.632,00, a homóloga indonésia era de US$ 651,00.

 

(continua)

046.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

(em Yogyakarta, à porta do palácio do Sultão de Yogy)

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