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A bem da Nação

MENTES BRILHANTES

 

 

Foi na instrução primária que tive professoras de alto nível diplomático. Diziam que certos dos meus colegas eram inteligentes e que eu era trabalhador. Eis por que me habituei desde a infância aos eufemismos que os sábios usavam para me chamarem burro. Mas foi também logo nessas idades que não me deixei abater talvez já conformado com a realidade e com o princípio que mais tarde aprenderia que diz que contra factos não há argumentos.

 

E como a inteligência é relativa tanto no espaço como no tempo e muito resultante dos trabalhos que fortalecem ou enfraquecem a rede de sinapses com que cada um nasce, aí estive eu a trabalhar o suficiente para nunca ter perdido um ano desde as primeiras letras até à conclusão da licenciatura.

 

Ciente de que possuía alguma capito deminutia, eis-me a fazer uma coisa de cada vez para que todas as sinapses se dedicassem apenas a um tema, sem dispersão que pudesse levar a que o sistema gripasse. Desenvolvi, pois, a capacidade de concentração e ao longo da vida tenho encontrado mentes brilhantes que quando estão a fazer uma coisa já estão a pensar noutra nunca chegando a rematar à baliza e muito menos a meter golo. Fazer uma coisa de cada vez não obsta que se faça uma aproximação holística ao tema. O meu método é, pois, inspirado no provérbio italiano que diz que «chi va piano va sano e va lontano».

 

Ainda tentei fazer 10 coisas ao mesmo tempo aprendendo a tocar piano mas acabei com a experiência para salvaguardar a serenidade da vizinhança.

 

Já lá vão 71 anos, acho que tenho feito bem e tenciono assim continuar durante esta segunda série de 70.

 

Primavera árabe.jpg

 

Um dos temas que mereceu a minha atenção durante estes últimos anos foi a chamada «Primavera árabe» e foi com algum receio que fui ouvindo as opiniões dessas mentes brilhantes espalhadas por tudo quanto é televisão europeia e americana. Se os factos já me davam motivos para recear as consequências, as opiniões desses iluminados deixavam-me estarrecido.

 

Estava-se mesmo a ver que não era Primavera nenhuma e que o derrube dos ditadores iria descambar na tomada do Poder pelas forças mais conservadoras do Islão. E aí está a débâcle do Norte de África e do Médio Oriente a dar-me razão.

 

Tudo se resume a um ditame: derrube de Estados laicos para instauração de hierocracias fundamentalistas.

 

Entretanto, acho que é o Putin que está certo e os EUA que estão errados na Síria e por aí fora...

 

E que fazer perante a invasão muçulmana da Europa?

 

Mas as mentes brilhantes dizem que assim é que está certo e eu fico-me pela minha burrice. Haja saúde!

 

Henrique em Marrakesh.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(em Marrakesh, 2006)

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