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A bem da Nação

MEDO OU FOBIA

 

Num mundo cada vez mais assolado pelo egoísmo e violência, onde tudo nos chega em enxurradas de informação, onde se quer tudo para “ontem”, quem não está conectado às novidades tecnológicas recentes e à globalização, está excluído da sociedade vigente. As pessoas enchem os consultórios de psicólogos e psiquiatras em busca de ajuda. A ansiedade e a correria a que ficam submetidas geram situações de medo e fobias que destroem a qualidade de vida dos cidadãos.

 

Quem não tem medo de, ao sair de casa, numa cidade violenta e sem protecção policial adequada, ser assaltado ou receber uma bala perdida a qualquer momento? Dentre tantas outras, essas são situações reais, que a população enfrenta com grande ansiedade. Quem sobe uma escadaria para não entrar num elevador, mesmo vazio, por medo de ficar preso ou por não tolerar ambientes fechados? Os fóbicos, é a melhor resposta. Enquanto o medo é uma reação normal, de autoprotecção a alguma situação sócio-ambiental de risco ou perigo eminente, a fobia é um medo irracional a alguma situação específica desencadeadora de um stress emocional, pessoal, muitas vezes com raízes genéticas. Tanto o medo como a fobia apresentam manifestações físicas como coração disparado (taquicardia), boca seca, sudorese excessiva, respiração ofegante, pupilas dilatadas (midríase), mãos frias. São manifestações autonómicas que nas pessoas fóbicas chegam a dar a sensação de morte eminente!

 

No medo o indivíduo evita a ansiedade contornando a situação stressante. Na fobia há uma resposta psíquico-emocional, irracional, desencadeada por algum factor traumático vivido pelo paciente. A pessoa passa a desenvolver sentimentos negativos e progressivos que cada vez mais a paralisa ou atrapalha socialmente. Ela está sempre esperando o pior acontecer, mesmo nas situações estáveis ou improváveis, despertando uma ansiedade, um sofrimento psíquico frequente.

 

Sem acrofobia.png

 Sem acrofobia

 

Na fobia simples o indivíduo tem medo de uma coisa ou situação específica. Como medo de alturas, de animais, de elevadores, de viajar de avião..., são medos fóbicos, desconhecidos, geneticamente determinados, que lhe trazem pequenos desconfortos e algumas limitações à sua qualidade de vida.

 

Na fobia social os prejuízos são maiores, pois o indivíduo se sente observado, julgado, avaliado, coisa que lhe bloqueia os passos e a naturalidade. Sente-se mal, evita falar e escrever em público, a ir a reuniões sociais, a comer fora, a sair com outras pessoas. Quase não tem amizades.

 

Já na agorafobia, o indivíduo não tem medo das situações, mas de se sentir mal ao vivenciá-las, o que lhe desperta uma incontrolável ansiedade, com ou sem ataques de pânico. Em situação de stress, o coração dispara, a pressão descontrola, sente tonturas, perde o controle de si mesmo, pensa que vai enlouquecer ou até morrer. As crises repetem-se com frequência. Com o tempo, a pessoa passa a evitar os lugares onde se sente incomodada. Depois, não quer mais sair, tem medo de se sentir mal no cinema, ao caminhar, ao dirigir... .Tudo é motivo de stress. Há uma ansiedade antecipada para qualquer coisa que a tire da área de conforto, um sofrimento psíquico que a prende em casa e lhe rouba a qualidade de vida.

 

Em todas as formas de fobia há como ajudar o indivíduo. Seja com medicamentos anti-stress, nos momentos agudos, seja com terapias de apoio, técnicas de relaxamento, ou procedimentos psíquico-terapêuticos. O uso de métodos cognitivos, para entender e driblar o medo fóbico e de exercícios de enfrentamento das situações stressantes, onde se aprende técnicas associativas que confrontam a realidade e a fantasia, ensinam a raciocinar entorno da situação com visão crítica. O indivíduo aprende a avaliar o pensamento negativo e a formular em contrapartida outro mais real e provável. Tudo é uma questão de treinamento, paciência e persistência, em que se aprende no dia a dia a dominar o medo e a ansiedade doentia.

 

Uberaba, 25/01/2017

 

Maria Eduarda Fagundes

Maria Eduarda Fagundes

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