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A bem da Nação

LORELEI – 3

Strasbourg-canal.jpg

Domingo, 29 de Dezembro de 2019, dá connosco Estrasburgo adentro…

Se há, não descobrimos os autocarros do «Op on – Op off»; descobrimos, isso sim, excursões a pé mas eu só fui de Infantaria na recruta, quando tinha idade para isso. Optámos, então, por um percurso de barco pelos canais da cidade. Para não nos sentirmos sozinhos quando entrássemos no barco, já lá tinham posto mais 198 figurantes.

Auriculares a funcionar e aí vamos nós… Passeio de duas horas com meia hora de subida e de descida numa eclusa transposta nos dois sentidos. Mas isso também faz parte da História e do combate ao stress por que passáramos na correria para não perdermos o barco que, recordando, já tinha 198 cidadãos de alhures à nossa espera.

No caminho para lá, a conversa foi sobre a margem direita; na volta lá ao fundo, a Senhora que estava dentro dos auriculares falou acerca das construções militares mandadas erigir por Luís XIV e n0 regresso, a conversa foi sobre a que de início era a margem esquerda mas que se transformara em direita. E se isto aconteceu na visita à parte velha da cidade, o mesmo rodopiar de margens aconteceu na outra metade do percurso, a visita à parte moderna.

E que retive eu da muita conversa? Duas informações que me pareceram interessantes e uma questão para que não peço resposta.

  • Gostei de recordar que o Dr. Albert Schweizer era alsaciano; gostei de aprender que tinha sido Pastor luterano na igreja de São Nicolau junto da qual navegámos e que a Senhora dos auriculares assinalou; mais me recordou que ele era médico e organista; mas a partir daqui ela nada mais disse sobre esse importante Senhor e fui eu que me lembrei de que lhe foi atribuído o Nobel da Paz pelo trabalho desenvolvido em África com o hospital (sobretudo gafaria) em Lambaréné, na selva gabonesa; à minha questão sobre que influência terão tido as tocatas e fugas de Bach nos ouvidos dos cidadãos do Gabão que o ouviam, fiquei a saber pelo meu Amigo Bruno Caseirão que o Dr. Schweizer não tinha um órgão em Lambaréné mas sim um piano revestido a metal para que as térmitas não o comessem.
  • Terá sido em 1792 que Rouget de Lisle, Oficial da guarnição de Estrasburgo, terá composto a letra e a música de um «Chant de guerre pour l’Armée du Rhin» quando a sua Unidade se dirigiu à Áustria em pé de guerra; posteriormente, o canto tornou-se muito popular e as tropas assentadas em Marselha tomaram-na como sua mudando-lhe o nome para «La Marseillaise»; seguiu-se a adopção do canto como Hino Nacional de França. Não sabia, fiquei a saber.
  • Sob o comando de um tal Wagner (cuja identificação mais concreta não descobri na Internet), a ocupação nazi de Estrasburgo durou cerca de quatro anos durante os quais se cometeram as tropelias típicas daqueles transtornados. Quatro anos é muito tempo para que um invasor possa prescindir de apoios locais. É esta a parte da História a que o turista não tem acesso. Mas, mesmo que a língua alsaciana seja muito mais germanizada do que os franceses gostariam, talvez não fosse mau fazer saber à memória colaboracionista que nós, os da liberdade, sabemos dessas tropelias e que Pétain e Laval não nasceram do nada… Mas o machado dessa guerra está enterrado, deixemo-lo assim. Até porque a guerra agora é outra e já nos bate à porta ao som das exéquias do General Suleimani.

Saídos do «bateaurama», passámos pela catedral que estava fechada apesar de ser Domingo e rumámos à procura de almoço. Na praça da catedral, nem pensar em encontrar lugar em qualquer dos muitos restaurantes pelo que decidimos sair dali. À saída da praça não tivemos problemas mas quem entrava era espiolhado pela Polícia (municipal?) como se estivesse a passar um controle de segurança num aeroporto. E foi aqui que, mais uma vez, me lembrei do peso histórico da passagem francesa pelo Magreb.

Encontrámos um bistrot muito acolhedor, almoçámos já não sei quê, fizemos horas à mesa e pelas ruas antigas circundantes porque o check-in no barco do cruzeiro no Reno seria só às 6 da tarde.

(continua)

Janeiro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

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