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A bem da Nação

KALIMERA – 3

 

O PESO DA HISTÓRIA

 

Tenho as ruinas como um monumento ao desleixo das gerações anteriores.

 

Daqui resulta o meu muito apreço pelo trabalho dos arqueólogos que presumo seguidos por engenheiros, arquitectos e canteiros.

 

Chegando ao sopé da Acrópole de Atenas, lembrei-me de Beethoven e da sua obra majestosa, «As ruinas de Atenas».

 

https://www.youtube.com/watch?v=GuW_T3RP1TE

 

Muito pausadamente, enquanto subíamos, ainda deu para trautear em surdina uma ou outra passagem mais «cantabile» que tenho de memória mas quando chegámos ao topo, a primeira vista que se me ofereceu foi uma oficina de cantaria. E foi com agrado que passei da minha surda cantoria para a cantaria dos canteiros.

 

Logo me lembrei de um amigo, arquitecto, que já está noutra dimensão, que me respondeu à questão de saber como se ia resolver o puzzle das pedras desmontadas - ou em falta - do arco de S. Bento então espalhadas pelo chão da zona central da Praça de Espanha em Lisboa: - Não há faltas na ponta do cinzel de um canteiro[i].

 

Continuámos a subir com a ligeireza que os meus mais de 70 anos sugerem e estava eu todo entusiasmado com o Pártenon quando a guia turística me diz que aquilo é só tamanho, que importante é o outro templo bem mais pequeno onde predominam actualmente as famosas Cariátides, ao lado do qual está a oliveira mais antiga do mundo. E aí começou ela uma dissertação em que não faltou o tridente de Posseidon que se espetara não sei exactamente onde fazendo brotar uma planta que deu azeitonas e de que se fez mel. Ou terá sido azeite? Não interessa, é tudo Mitologia e como tal deve ser considerado. Andando…

 

O Parténon é formidável e deixemo-nos de mesquinhezes que para pequeno basto eu. E sobre essa obra já foi dito o suficiente para que tudo o que eu afirme só possa passar por redundante.

Cariátides - Acrópole de Atenas.jpg

 Cariátides de Erecteion, na Acrópole de Atenas

 

Mas fiquei triste ao saber que os trabalhos de recuperação daquelas ruinas vão ficar pouco mais do que já estão. Que não vão reconstruir tudo. Porquê? Pensei que fosse por causa da falta de verba mas não, que é para não entrar em conflito com os gatunos que levaram frisos e outras partes para os Museus dos seus países lá para as bandas do Tamisa e mais não sei onde…

 

Mas não será mesmo verdade que não haja faltas na ponta do cinzel do canteiro? Então, se – muito bem, na minha opinião – preenchem as faltas com mármore branco para não enganar turistas nem historiadores nos próximos séculos, não vejo razão para que se continue a homenagear o desleixo de quem deixou tudo aquilo chegar ao ponto vergonhoso em que estava antes das actuais obras terem sido iniciadas. Espero que Governos futuros avancem até à reconstrução total de monumentos formidáveis como aqueles mostram ter sido.

 

A ver…

 

Abril de 2018

Partenon 1.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

 

[i] - Em crónica seguinte contarei como a «Universidade de Viena» está a resolver este mesmo problema nas obras de reconstrução de Efeso.

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