«JE NE M’APPELLE PAS CHARLIE»
Hoje serei dogmático.
Afirmo que a religião não se discute e, mais concretamente, afirmo que a fé, fundamento de qualquer religião, é matéria do foro íntimo de cada um e, portanto, não tem que ser discutida. E quanto à publicidade que cada um dela faça, é opção individual que cada um assume sem esquecer que a sua liberdade termina onde começa a do parceiro.
Eis o dogma que a liberdade de expressão nem sempre consegue digerir; eis os limites que muitos querem saltar como se fossem os únicos detentores da verdade universal e absoluta.
E que fazer ao proselitismo? Há que o domar, tout court.
Não quero a verdade na lâmina duma espada nem na boca de um canhão, quero que todos se contenham e se comportem com urbanidade. E terei a legislação em vigor para que os incontidos e os mal-comportados sejam acusados, admoestados, punidos e confinados.
A liberdade de expressão não pode ser confundida com abuso de expressão.
Charlie abusou e por isso «je ne m’appelle pas Charlie».
Janeiro de 2015
Henrique Salles da Fonseca


