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A bem da Nação

INDOCHINA – 10

 

 

Se eu fosse um desses azougados que empunha cartazes e grita nas ruas, apetecer-me-ia gritar «VIVA SAIGÃO!!!».

 

Lembrei-me de Pasárgada...

                                                  Em Pasárgada tem tudo

                                                  É outra civilização

                                                 ...

                                                 Tem prostituta bonita

                                                   Para a gente namorar

                                                ...

                                                 — Lá sou amigo do rei —

                                                 Terei a mulher que eu quero

                                                 Na cama que escolherei

                                                 Vou-me embora pra Pasárgada!

 

Foi em Saigão que vi as mulheres-polícias mais bonitas que se pode imaginar, de capas de revistas, de «fazerem parar o trânsito», à la lettre. Foi uma pena não ter tido a rapidez suficiente para as fotografar porque nunca tinha sido posto perante a hipótese de andar a fotografar polícias. É que os da minha terra nunca me despertaram tais apetites e o hábito por vezes faz o monge. A «non plus ultra» estava na praça da Catedral e quando, refeito do espanto, peguei na máquina fotográfica, já ela se metia num carro-patrulha assim ficando fora da objectiva. Sim, há que voltar a Pasárgada.

 

Ópera de Saigão.jpg

 

Quando cheguei à Ópera, vi nas varandas que correm ao longo das fachadas laterais umas cabecinhas de quem estava sentado a tomar um refresco durante o intervalo de algum espectáculo e, aproximando-me, vi que se tratava de europeus saboreando o final da tarde depois de algumas claves de Sol e antes de outras de Fá. Regressei aos tempos coloniais, à nostalgia da longínqua Paris, só faltando quem os abanasse. Faltando também algumas guerras que os atirasse dali para fora como «donos» da casa que não era deles. Mas agora, postos os pontos nos ii, lá estavam eles a gozar a temperatura que já acham amena. E a subtileza da situação vi-a confirmada no cartaz anunciando como primeira peça do concerto daquela tarde o «Dueto das Flores» da «Lacmé» de Léo Delibes interpretado por duas cantoras minhas desconhecidas, obviamente vietnamitas de quem não fixei os nomes e que, portanto, não consigo procurar na Internet. Mas, para dar o tom, que fique o dueto pela Anna Netrebko e pela Elina Garanca:

 

https://www.youtube.com/watch?v=Vf42IP__ipw

 

 

Sim, nem tudo são rajadas em Saigão!

 

À hora por que lá passámos, estava vedado o acesso de turistas à Catedral pelo que o meu amigo Pepe me entregou a sua máquina fotográfica e entrou como crente trazendo de volta a informação de que toda a fachada interior do lado do Evangelho está dedicada a Santo António de Lisboa (não de Pádua) e a fachada do lado da Epístola está dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Não há dúvida, Portugal é muito maior do que dele fazem os telejornais.

 

E era no meio da azáfama desta praça tão central que eu me perguntava como seria tudo aquilo no tempo das guerras com os de cada lado a imaginarem «em cada rosto um inimigo» como na cantiga de Grândola... Deve ser horrível viver numa guerra civil com os membros duma mesma família a optarem por campos opostos. E, contudo, as evocações de Stº António e de Nossa Senhora já lá estavam.

 

Foi também nesta praça que me lembrei das imolações dos monges budistas em protesto contra as medidas tomadas pelo Governo do então Vietname do Sul relativamente à liberdade religiosa. Curiosamente, encontrara num templo-museu em Hué o carro que figura na foto mais conhecida deste tipo de ocorrências:

 

emulação.jpg

 

Ei-lo em Hué:

 

Carro do monge imolado.jpg

 

 

Liberdade religiosa ou medidas de política contra monges politicamente hostis?

 

E quanto a hostilidades, amanhã há mais.

 

(continua)

 

Lisboa, 11 de Dezembro de 2014

 Henrique na Ópera de Saigão-2.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(à porta da Ópera de Saigão)

 

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