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A bem da Nação

ÍNDIA – 3

 

 

No texto anterior ficámos na dança, cujas origens igualmente se perdem no tempo. Não é uma dança comum. Está intimamente ligada à concentração e meditação, com posições de yoga, algumas copiando estatuetas do deus Xiva, o deus da música e da dança, fonte de energia cósmica, que perpetua o movimento do universo representado na imagem abaixo pelo círculo de fogo.

         

             

É conhecida a crença hinduísta na reencarnação. Os hindus acreditam que o espírito ou a alma, – o "eu" verdadeiro de cada pessoa, chamado de atman(vão reparando na semelhança de algumas palavras: primeiro da deusa Mai ou Maha, para mãe, agora atma para alma) – é eterno, e já o Rigveda, que terá sido escrito entre 1.700 e 1.100 a.C. fala nisso.

 

De acordo com um antigo texto hindu, certa vez perguntaram a uma rainha chamada Latika porque ela gastava tanto tempo e dinheiro colocando lâmpadas de azeite nos santuários: mil lâmpadas somente para o santuário de Vixenu, o ser supremo e bem-aventurado. Latika que se recordava das suas vidas anteriores respondeu que numa encarnação anterior, como camundongo, tentara roubar a mecha de uma lâmpada que estava quase a apagar-se no templo de Vixenu. Nesse instante um gato soltara um grito estridente e Latika fugiu aterrorizada. Na pressa esbarrou na lâmpada atiçando a chama. Em recompensa por ter reactivado a chama, Latika recebeu o privilégio de reencarnar como princesa e desposar um rei. Se um simples acto, involuntário, lhe tinha merecido tamanha recompensa, os méritos de ter mantido a chama acesa deveriam ser, na verdade, muito grandes. Ao morrer foi levada ao céu para ali “gozar dos prazeres divinos”.

 

Seguindo o exemplo de Latika os fiéis continuam a manter lâmpadas com azeite diante das imagens religiosas. As ofertas de azeite, ou incenso ou flores, procedem sempre da mesma motivação. A origem desta prática, de acender lâmpadas às divindades igualmente se perde nas noites dos tempos.

 

(O que fazem hoje os cristãos, judeus, xintoístas, e até os que continuam com a sua religião animista ou só no respeito e veneração dos antepassados? Acendem lamparinas, velas, queimam incenso, etc.)

 

Chegamos agora às invasões, que transformaram a Índia naquilo que ela é hoje: povos vindos de inúmeros lugares, de aspectos físicos os mais diversos, além de uma infinidade de línguas e dialectos. Índia é um sub continente onde correm rios caudalosos, boas terras para agricultura, e se cultivavam já sorgo e arroz, e por muito incrível que pareça, o milho! Não se sabe que variedade de milho, apesar de os mais antigos registos deste cereal terem aparecido em vestígios arqueológicos na caverna Guila Naquitz no Vale de Oaxaca, no México que datam cerca de 6.250 anos, e nas cavernas de Tehuacan, Puebla, com cerca de 5.450 anos. No entanto na cultura harappiana, do vale do Hindus, também cultivavam milho, no mínimo há 4.500 ou 5.000 anos.

 

E além disso um produto que provocou a grande admiração dos invasores: uma espécie de lã, que estes só conheciam das ovelhas, mas vegetal, com a qual faziam tecidos, desde os mais finos a grossos, para proteger do frio, desconhecido até então: o algodão!

 

São os arianos os primeiros conhecidos grandes invasores. Até então chegaram de muitos lados, pequenos grupos ou tribos, que se instalaram em toda a região, mas sem configurarem invasão, nem alterarem os costumes locais, muito pelo contrário, os absorvendo.

Através da maior parte da Europa até a Índia, existem ainda, ou pode ser demonstrado, terem existido no tempo passado, um número grande de línguas, cujas formas e sons, quando cientificamente analisados mostram uma origem comum.

 

Estas línguas são chamadas pelos cientistas de Indo-Germânicas ou Indo-Europeias. O termo Indo-Europeu parece ter sido inventado pelo Dr. Thomas Young um físico e egiptólo, em 1813. Ele incluiu neste grupo também o basco, finlandês, e línguas semíticas. O nome Indo-Germânicas foi usado por um filologista germânico, em 1823, com a ideia de incluir as línguas que do mais distante leste até ao oeste, se estendia desde a Índia até ao Atlântico. Ele teve a capacidade de observar que a língua sagrada da Índia, o sânscrito, a da Pérsia, da Grécia e Roma, a língua dos celtas, germânicos e eslavos, estiveram, algum dia, todas intimamente ligadas.

 

Como os povos, nas suas deslocações, muitas vezes perdem a sua língua de origem e adoptam uma outra, os termos Indo-Europeias ou Indo-Germânicas, foram abandonados e decidiu-se que o termo mais apropriado para os falantes dessas línguas deveria ser Viros, que significa homens na grande maioria das línguas em questão.

 

Afinal o que se sabe sobre os antigos humanos? Através de algumas palavras preservadas, especialmente em línguas de regiões muito afastadas, há pouca probabilidade que as palavras passem de um lugar para outro. No entanto encontram-se algumas de animais e plantas e pouco de indústrias, cuja semelhança faz crer que esses povos, hoje separados, estiveram antes longos períodos em áreas circunscritas, e por muitas gerações. Por exemplo a palavra “mare”, do latim, mar, tem noutras línguas significados relativamente “perto” como pântano ou local de atracar um barco.

 

Os Viros não eram de certeza nómadas, mas povos já assentados, do início do neolítico. Conheciam o boi e vaca, carneiros, cavalo, cão, porco e algumas espécies de cervos. O burro, camelo e elefantes parecem ter-lhes sido desconhecidos nos primeiros tempos. Há vestígios de que cultivassem o milho, prova do seu assentamento.

 

Também se conhecem as espécies vegetais, sobretudo fruteiras e árvores fornecedoras de madeira.

 

Com estes elementos começa a ser possível localizar de onde saíram os primitivos habitantes falantes destas línguas. Não parece ser da Índia, já que a fauna e flora desta região era diferente.

 

Se eles utilizavam a madeira das faias – árvore do género Fagus – teriam que viver numa área que no máximo podia ir ao norte, até à Prússia e a sul à Crimeia, região de grandes florestas. Mas para a criação de gado, ovelhas e sobretudo a produção de alimentos, como milho, aveia e outros cereais, só há na Europa uma região com as necessárias características, que são as férteis planícies limitadas pelos Cárpatos a norte e leste, os Alpes a Ocidente e, contornando os Cárpatos, ao sul, pelos Balcãs.

 

As faias que não vingam mais para sul, encontram-se também aqui.

 

Se esta área foi o habitat original dos arianos, e tudo leva a crer que sim, a difusão dos povos de língua Indo-Germânica, começa a fazer sentido. Crê-se que esta expansão terá começado cerca de 2.500 a.C.

 

Depois fica fácil seguir o caminho que levaram: uns atravessam o Bósforo ou o Dardanelos para a Turquia, seguem, com os seus animais, pelos lugares mais propícios, outros contornam o mar Morto e descem para a Pérsia, outros passam a norte do mar Cáspio, e todos vão-se aproximando do Afeganistão, sempre através das regiões que lhes proporcionavam estabilidade, ou onde se assentassem e certamente se mesclavam, para prosseguirem, até se depararem com os Himalaias.

 

Alguns passaram para a planície do Hindus mais a ocidente, mas depararam-se com o grande deserto indiano, mas a grande maioria terá cruzado a cordilheira do Hindus, que separa o Paquistão do Afeganistão, pela única passagem, um vale, Kyber Pass, que liga as actuais cidades de Cabul, por Jalalabad até Peshawar.

 

Começa a chegar à Índia – hoje Paquistão e Índia – uma nova civilização, mais avançada e culta, que dá origem à história, com o Rigveda. Cerca de 1800 a.C.

 

Com isto o desenvolvimento da escrita e de religiões antigas como a que se veio a chamar hinduísmo, e mais tarde o budismo e jainismo.

 

Como nestes textos só estamos a tratar da Índia, é bom esclarecer que muitos povos, tanto arianos, como persas, frísios, arménios, e muitos outros, atravessaram as montanhas dos Himalaias e prosseguiram para a Ásia Central, como, as primeiras migrações, que saindo de África se foram espalhando pelo mundo desde há mais de 50.000 anos.

 

23/03/2014

 

A continuar

 

 Francisco Gomes de Amorim

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