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A bem da Nação

IMPARIDADES DA MÃO INVSÍVEL

 

LS-Imparidade 1.jpg Fiz, há uns dias, dois Sonetos sobre a Mão Invisível e recebi correio electrónico, com surpresas. Nunca pensei que daria polémica, ainda bem, porque polémica é luz e Luz é Conhecimento.

 

A maior parte destas, foi porque misturei Deus, Dinheiro e Amor.

 

Fi-lo, como escrevi ao meu Amigo Dr. Henrique Salles da Fonseca, com o coração.

 

Enquadrando, de cor, Fernando Pessoa, não tenho medo dos sentimentos. Aliás, um ser humano que tem medo dos sentimentos não pode ser feliz. Onde há dinheiro envolvido não há Amor. Escrevi eu. Estava errado porque não é real.

 

Os avarentos amam o Dinheiro, portanto, onde há dinheiro também há Amor. Só que não era a esse Amor que me referia. Todos os que têm lido os meus textos, ao longo dos anos que tenho escrito no “A Bem da Nação”, descortinam, em mim, um conservador moderado e crítico dos excessos. Nada de ultra direita, nem ultra esquerda, mas centro. Não é uma posição para estar confortável, é porque penso assim mesmo.

 

Falei de Deus? Falei! Não é o Grande Arquitecto da Humanidade? Não nos legou o Livre Arbítrio, em cuja cama nos deitamos todos os dias?

 

Porque é que não assumimos que alguns de nós têm fome de Poder e depois criamos a outra Fome, desumana e terrível, que tem efeitos marginais nos mais indefesos? Está à vista de todos, todos os dias, na imprensa escrita e falada. Aceito os conceitos do liberalismo económico, mas, repudio, veemente e totalmente o capitalismo selvagem.

 

O capitalismo selvagem é forma mais desumana e implacável de liderar os interesses do dinheiro. Mas, não nos iludamos, o Dinheiro é uma obra de Deus. Assim como de todas as outras coisas. E, nós, simples mortais humanos, temos de saber navegar nestas águas, lutar contra as marés, desviarmo-nos dos escolhos, para sobrevivermos.

 

E porque, o faremos pisando os outros? Ora, erráticos e humanos.

 

Uma vez, então jovem licenciado, escrevi um parecer para o meu Chefe, em que, afirmava, com todas as certezas da juventude, que a Economia Pura de Mercado jamais regressaria. O meu Chefe, em despacho seco e peremptório escreveu no campo superior direito da primeira folha, como lhe competia: Prove!

 

Já se falava, em computação e robótica, apareciam os primeiros jornais especializados em economia e finanças, os computadores eram enormes e tinham ainda funções pouco abrangentes, mas, já dava para perceber que se desenvolviam em velocidade de cruzeiro. Não tinha intenções de lhe provar o que quer que fosse. O meu atrevimento não chegava a tanto. Escrevi, timidamente, mas, com uma frase previsível: O progresso e o desenvolvimento tecnológico acarretarão a manipulação das Leis da Oferta e da Procura… Ao outro dia, entrando-me pela Sala dentro, disse-me “Concordo!”, mas, vamos assentar as ideias ao almoço. O combate foi duro. Não houve vencidos, nem vencedores e construímos uma bela Amizade que durou até ao fim da sua vida e quem o Dr. Henrique Salles da Fonseca conhece. Chefe que foi meu Mestre, com quem aprendi diariamente e que tive honra de substituir. Em sua homenagem recordo o ser humano mais impecável, competente e honesto que conheci. Trata-se do Dr. Victor Manuel da Silva Vieira.

 

Nos nossos debates, ao almoço, que era, temperado com as deliciosas conversas que tínhamos sobre tudo – o meu Chefe era Licenciado em Economia e Finanças, gostava de almoçar com os seus colaboradores e os almoços eram sempre agradáveis.

 

Uma vez, uma das nossas conclusões, que ainda hoje partilho, foi esta: A pureza da Economia de Mercado, nascida do pensamento clássico, quanto às Leis da Oferta e Procura, vai acabar por ser condicionada pela rapidez da informação global. Cada vez haverá mais gigantes empresariais, transformados em monopólios. Os Donos disto tudo e a livre concorrência, a tal, gerida pela mão invisível, cada vez será menos livre.

 

LS-Imparidade 2.jpg E, hoje, acrescento eu, na palma da mão invisível cairão umas borboletinhas a que daremos o nome de imparidades… postas pela mão humana.

 

Luís Santiago.jpg Luís Santiago

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