IDIOSSINCRASIAS
Somos bons. Verifica-se até nas anedotas que fulguram nos e-mails. O meu filho Ricardo, que sempre teve um humor malandro, tem o condão de as encontrar e muitas vezes mas envia, anedotas que chegam até ele através da rede sacrossanta da Internet, cheia de pequenos elfos da sua floresta mirabolante em luz e cor, com muita escuridão de mistura.
Acabo de ler a sua anedota e logo pensei nestes portugueses bonzinhos, sem coragem para matar o bicho, embora usando truques para se livrarem dele e acabando por se saírem mal na história, necessitando de recorrer aos serviços do bicho esperto. Quem diz portugueses, diz os alentejanos da história, que, porque vivem no calor e na amplidão do espaço, têm de ser forçosamente lerdos, o que não é verdade, por muito que as suas canções nos revelem essa sua faceta da cálida lentidão.
Mais uma anedota, pois, como contributo para as nossas hormonas da felicidade:
O GATO DO ALENTEJANO
Um alentejano queria livrar-se de um gato. Levou-o até uma esquina distante e voltou para a casa. Quando chegou a casa, o gato já lá estava. Levou-o novamente, agora para mais longe. No regresso, encontrou o gato novamente em casa. Fez isso mais umas três vezes e o gato voltava sempre para casa.
Furioso, pensou: 'Vou lixar este gato!'
Pôs-lhe uma venda nos olhos, amarrou-o, meteu-o num saco opaco e colocou-o na mala do carro. Subiu à serra mais distante, entrou e saiu de diversas estradinhas. Deu mil voltas... e acabou por soltar o gato no meio do mato. Passadas umas horas, o alentejano liga para casa pelo telemóvel...
- Tá, Maria, o gato já chegou? - Sim...
- Ainda bem, deixa-me falar com ele porque eu estou perdido.


