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A bem da Nação

FRANCISCO PIRES LOPES, SJ

 

P. F. Pires Lopes 001.jpg

 

Faleceu hoje o Padre Francisco Pires Lopes, jesuíta e meu amigo.

 

Sobre os dados biográficos, a Companhia que diga pois sabe muito mais do que eu.

 

Eu digo o que me parece mais importante: era um homem de bem e era meu amigo.

 

Então, aproveito para dizer mais umas coisas…

 

… se eu sou democrata, a ele o devo porque me confirmou que o ar que respiramos é igual para todos e me lembrou que todos somos iguais perante o Pai…

 

… se eu sou cristão, a ele o devo porque, dentre outros conceitos, me lembrou que o perdão é o que distingue o bem do rancor…

 

… se eu sou democrata-cristão, a ele o devo porque, entretanto, já era democrata e porque, entretanto, já era cristão.

 

Deu-se o caso de ele ter sido meu professor nos idos de 60 do séc. XX no Instituto Superior Económico e Social de Évora quando decidi fugir das greves académicas que enfestavam Lisboa em 1962-3 e, para minha sorte, foi ele que ministrou a cadeira de «Doutrina Social da Igreja».

 

E assim avencei pela vida fora…

 

Até que, já pai de família, cheguei à minha casa, vizinha da Brotéria.

 

Então, o Padre Pires Lopes recebia-me sempre que lhe pedia para conversar. E não vinha ao caso saber se estava ocupado ou livre; recebia-me e não havia hesitações. Uma ou outra vez tive que esperar um pouco porque estava a celebrar na capela privativa da residência. Mas quando chegava à sala onde sempre me recebia, vinha com o bom humor que claramente escondia os padecimentos físicos que o atormentavam. Porquê? Porque era homem de fé e sabia que a dor é terrena e a alegria é divina.

 

E do que conversávamos? Sim, um pouco do que passáramos em Évora, da situação por que íamos, entretanto, passando na vida profana, de política, «à vol d’oiseau» sobre os seus padecimentos, da minha busca dos portugueses abandonados e da edificação da «Lusitânia Armilar» e do que mais calhava. Até que, chegada hora de fechar, eu lhe pedia a bênção e nos despedíamos até uma próxima oportunidade.

 

Então, dou por mim a lembrar-me de que naquela que, afinal, foi a última vez que lhe pedi a bênção, ele me disse algo como «Que bom, voltar a ter a oportunidade de rezar em comunhão com quem sente a proximidade do espírito». E acertou! Pena foi que tivesse sido a última vez que nos encontrámos por cá. O reencontro fica para a próxima, na outra dimensão.

 

Ámen!

 

Lisboa, Junho de 2018

 

Henrique Salles da Fonseca

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