Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

FRANCISCO GOMES DE AMORIM – I

Como diria Monsieur de La Palisse, comecemos pelo princípio. E o princípio é o nome.

Verdade, verdadinha, «A ver o mar» não é terra do interior e antes de ser absorvida pela malha urbana que por ali cresceu, era uma das aldeias pertencentes à Freguesia de Amorim, Concelho da Póvoa de Varzim. E porque aos naturais de «A ver o mar» se lhes chama averomarenses, mais fácil foi o Senhor Francisco Gomes associar-se a Amorim. Assim foi que, de ajuda geográfica, passou a nome. Nome dinástico, posto que o ora biografado foi o fundador do nome, o filho foi o II, não houve neto adulto que se chamasse Francisco, o bisneto é o meu Amigo Francisco Gomes de Amorim, o III, cujo filho do mesmo nome é o IV e neto é o V. A mais ver… que não apenas o mar.

E foi muito mais o que Francisco Gomes de Amorim I viu.

Criança de 9 anos, quase analfabeto apesar dos cinco anos de escola, foi para o Brasil acompanhando outra criança, o irmão de 11 anos. Chegados ao destino, Belém do Pará, foram vendidos como escravos e separados por dois donos diferentes. Mas o dono de Francisco I não deve ter sido muito mau pois que lhe deve ter dado a alforria, lhe terá permitido aprender mesmo a ler e a escrever e, muito importante, o terá deixado entusiasmar-se pelas artes literárias. O resto foi a força de vontade.

Foi com essa tenacidade que se relacionou com vultos confirmados da nossa cultura, nomeadamente Almeida Garrett que lhe escreveu informando  que não o poderia ajudar estando ele tão longe.

Tinha 19 anos quando regressou a Portugal e, com a ajuda de Almeida Garrett, empregou-se como aprendiz numa alfaiataria em Lisboa. Não tardou a ficar conhecido como o «poeta operário». Seguiram-se colaborações em jornais tanto em poesia coimo em prosa e foi ficando cada vez mais conhecido.

Escreveu, escreveu, escreveu - prosa, poesia, teatro, folhetins… Os anos foram passando, fez-se homem e casou. Correspondente em Lisboa de jornais brasileiros, a produção literária, as crónicas sociais e políticas, tudo foi oportuno para hoje o termos como um homem que viveu intensamente, testemunha dos seus tempos, personalidade notável.

Eis o resumo duma vida plena de entusiasmo e muito inspiradora para quem o leia directamente nos seus escritos ou indirectamente como eu fiz numa pequena obra de pouco mais de 90 páginas intitulada «Francisco Gomes de Amorim – revolucionário e repórter de rua» da autoria de José Rodrigo da Costa Carvalho e editada pela Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim.

Last but not least, uma nota de muito apreço pela iniciativa editorial da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim que, através da sua Biblioteca, edita a colecção “Na linha do horizonte” onde congrega obras de Autores poveiros e de forasteiros sobre temas poveiros. Se todos os municípios seguissem este exemplo, a vida cultural seria ainda mais rica.

Fevereiro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D