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A bem da Nação

FALANDO DO OUTRO MUNDO

 

Minhas Amigas, Olá!

 

Estou vivo mas falo-vos do outro mundo… Sim, de um mundo que já não existe mas que bem conhecemos e que todos adorámos. E em que vos adorei, claro! É evidente que não espero que me respondam dizendo que a adoração foi recíproca. Não percam tempo com isso. Nem faria sentido, passados que são já mais de 40 anos, não estando todos nós e cada um disponíveis para escrever a história de novo. Até porque muitos que connosco por ali deambularam já estão mesmo naquele mundo dos espíritos de que só alguns dão sinal. E não interessa se algum de nós era o alvo da adoração dos outros. Não! Nós eramos os adoradores daquele mundo adorável que não pudemos segurar depois de o termos tido nas nossas mãos durante uns tempos e que outros nos arrancaram com os cravos que tinham metido nos canos das espingardas.

 

Não preciso de citar o seu nome para saber que Você se lembra perfeitamente daquele casal de pássaros que ao fim do dia vinha lá da floresta para dormir nalguma árvore na cidade. E nós íamos à varanda esperar por eles e sabíamos que aqueles eram momentos que haveríamos de lembrar para sempre…

 

 

Não preciso de citar o nome daquela nossa amiga que, atravessando a floresta donde vinham os pássaros, comia peras de caju directamente da árvore e chegava junto de nós um pouco alegre e com muita vontade de dançar. E nós dançávamos todos com ela como se fosse «a cappella» imaginando uma melodia que até hoje ninguém tocou. E já vamos tarde para tocar a música da dança pois há muito que procuro essa nossa amiga e não a encontro. Temo que a guerra a tenha levado para o tal mundo de que só alguns espíritos dão sinal. Sei que Você se lembra de tudo isto e não dá aqueles tempos por perdidos. Eu dou-os por ganhos. Sim, foi neles que a conheci a si, que vi os pássaros que à tardinha vinham da floresta, que dancei «a cappella» com a nossa amiga.

 

 

 

Não preciso de citar o teu nome para saber que te lembras daquele penedio donde olhámos para a barragem lá no fundo e me disseste que naquela penumbra das encostas do lado de lá só faltava aparecer o Peter Pan com a sua varinha de condão e fizesse aquele momento continuar por aqui fora, tempos aquém… Foi nesse dia que me levaste àquela descida em que o carro destravado e em ponto morto recuava a subir. Sim, também esses foram tempos de magia que não pudemos segurar.

 

Não preciso de citar o teu nome para saber que te lembras daqueles passeios a quatro no grande carro americano do nosso amigo que já lá está no mundo de que só alguns espíritos dão sinal e do casamento deles a que já não fui porque as voltas da vida assim o disseram. E tu, foste ao casamento deles? Não respondas. Deixa-me ficar na penumbra das coisas mais ou menos lembradas e mais ou menos esquecidas. E lembras-te da viagem de barco? É claro que lembras! Mas não digas nada… fica só assim.

 

 

Não preciso de citar nomes porque o mundo em que então vivemos já não existe. É um outro mundo. Se alguma de Vocês lhe tocar, não deixe de lembrar. Eu lembro!

 

Continuemos…

 

Julho de 2014

 

 Henrique Salles da Fonseca

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