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A bem da Nação

FALÁCIAS E SOFISMAS

demagogia.jpgUm demagogo é aquele que defende doutrinas que sabe serem falsas a pessoas que ele sabe serem idiotas.

Henry Louis Mencken.jpgHenry Louis Mencken (1880-1956)

Jornalista, crítico e filósofo norte americano

 

 

Falácia – afirmação falsa não intencional; engano; erro.

Sofisma – afirmação de má-fé usada para enganar alguém; dolo.

 

Vivemos num tempo em que se assiste a um sensível “enlouquecimento” do processo acelerado de globalização em curso. O enfraquecimento do poder organizativo do mundo, que se afirmou nos últimos quinhentos anos e através do qual foi possível passar dos velhos absolutismos à experiência de democracia – nações, países e Estados soberanos –, é cada vez mais um dos dados relevantes da nossa actual globalização à procura de um sentido, de uma ordem que trave o risco da desumanização. A lógica da organização do mundo em países a caminhar para a democracia estendida a quase toda a Terra está a ser torpedeada por entidades “invisíveis”, com força de mito, precisamente em nome da vantagem de se pensar e agir globalmente. Falamos das organizações transnacionais sem rosto, sem democracia, sem sufrágio dos povos. A começar pelos “fantasmáticos” mercados que fizeram dos bancos reféns – os quais, como se tornou habitual dizer, “não devem ser irritados nem afrontados pois vingam-se nos Estados com as suas manobras financeiras –, passando pelas multinacionais até à multiplicação de grupos terroristas que espalham o terror por todo o lado, todas vergam hoje em dia os chamados “Estados soberanos” às suas exigências, acabando por submeter os povos a medos, a austeridades, a contribuições para pagar “dívidas” de que não foram autores.

 

Dei por mim a discordar da parte conclusiva deste texto (de autor[1] cuja seriedade é inquestionável) e, portanto, a considerá-lo falacioso.

 

Para mim, o busílis está na parte final, quando considera que se está a «submeter os povos a medos, a austeridades, a contribuições para pagar “dívidas” de que não foram autores».

 

Pois eu acho o contrário: os autores das dívidas foram os povos que venderam os seus votos aos demagogos que tudo prometeram sem que eles, os eleitores, tivessem que comparticipar substancial ou sequer razoavelmente no financiamento das benesses. Estas têm que ser financiadas por alguém e os demagogos não hesitam em recorrer aos aforradores – aqueles que não espatifam o que vão recebendo – pedindo-lhes emprestados os capitais que os Estados não arrecadam em Impostos para suprirem os défices públicos que a demagogia cria.

 

E como o uso desses capitais alheios se transformou num abuso, a dívida acumula-se em níveis perfeitamente obscenos como é corriqueiro por cá e por aí além... só havendo um modo de os países se libertarem dos pesados serviços da dívida com que se deparam: pagando o que devem e mandando os credores (e esses “banqueiros de rapina” que mais não são do que intermediários) às urtigas logo que devolvam os capitais que lhes pediram de empréstimo.

 

Estamos, pois, perante uma maligna classe política useira e vezeira em sofismas governando hordas encarneiradas que repetidamente votam nesses demagogos malignos. E como o grosso da dívida pública se destina a financiar políticas sociais sem suporte suficiente na tributação corrente da actividade produtiva, vulgo impostos, os beneficiários das dívidas constituídas são os povos, esses que o Autor do texto inicial isenta de responsabilidades e a quem eu atribuo todas as culpas estaminais.

 

Só há uma dicotomia possível com exclusão de quaisquer outras hipóteses: esses povos são responsáveis ou, em alternativa, são irresponsáveis, quer dizer, imbecis. Escolham.

 

Junho de 2016

 

Henrique Salles da Fonseca, Vietname, NOV14

Henrique Salles da Fonseca

(à entrada das grutas na Baía de Halong, Vietname, NOV15)

 

[1] - Professor Doutor Mendo Castro Henriques

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