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A bem da Nação

ENTRETENIMENTO DOMINGUEIRO

BOM SELVAGEM

 

 

Uma história mitológica

É a fábula de Florian que se segue,

Que conta do rei de Creta,

- Minos de sua graça -

Filho de Zeus e de Europa

E juiz no Hades tenebroso.

Um cargo bem espinhoso,

Já Salomão o sentia

Nos casos que resolvia.

Por aqui nem é tanto assim,

Que em vez do ver se te avias

Que Nino quis aplicar,

Os processos são acumulados

Sem embaraços madraços,

Para a Justiça se poder protelar

E os casos serem prescritos

Sem atritos.

Eis, pois, Nino a decidir

Sobre o castigo a aplicar

Duma assentada

A sete nomes do poder -

Maneira prática de decidir

Segundo a fórmula “todos à molhada”.

Mas não havendo peso possível

Para equilibrar a balança

Na dança de cada sentença,

Tantos eram os pecados

De tão finos pecadores,

Que desciam, não subiam

No seu prato.

A solução foi , pois,

Uma substituição de valores:

Nada de pesos prefabricados,

Para pôr na balança da Justiça.

O melhor, de facto,

É considerar

Que os pobrezinhos é que são os bem formados

Para contrabalançar com os dos pecados.

Não admira que Florian o consinta,

Vivendo numa época pré romântica,

 Sentimental com muita pinta,

Que Rousseau ajudou a promover

A valer.

A nossa Justiça hoje em dia

Também se fia

Nesses considerandos que faz que os maus

Sejam sempre os do poder e os bons

Os miserandos.

É fatal.

O próprio Cristo já o dizia,

Achando-os bem-aventurados

Por merecerem os Céus,

Juntos de Deus.

Fatal, sim, mas pouco crível

Num parecer menos sensível.

Porque, por mais que se pinte

Se ponha ou se diga,

Com mais ou menos ficção,

Em toda a parte há de tudo,

Como na botica.

E as classes sociais

Não são especiais

Nessa condição.

Eu, pelo menos,

Penso  que não.

 

«A balança de Minos»

 

Minos, não podendo mais bastar

Ao fatigante ofício de ouvir e de julgar

Cada sombra descida ao tenebroso  império

De um Hades de mistério,

Imaginou, como solução

Para tal confusão

De trabalho excessivo,

Mandar fazer uma balança

Onde, num dos pratos  colocaria

Cinco ou seis mortos, e no outro prato

Um certo peso que a sentença

Determinaria.

Se o peso subisse, então, com mais vagar,

Os casos examinaria;

Se o peso baixasse, pelo contrário,

Sem escrúpulo faria punir.

O método era seguro, decisivo e claro;

Minos estava feliz consigo próprio.

Num certo dia, pois,

A bordo do Estígio a morte reúne

Simultaneamente,

Dois reis, um ministro de peso, um herói, três sábios.

Minos fá-los pesar conjuntamente.

O peso sobe. Coloca dois,

E depois três, mas em vão os pôs;

Quatro não fazem melhor,

O prato  não há meio de descer.

Minos, surpreendido,

Tira da balança os inúteis pesos,

Outro meio experimenta, mais eficiente;

Vendo, perto dali, um pobre homem de bem

Que num canto escuro esperava em silêncio,

Coloca-o como contrapeso bastante:

Eis as sete sombras que sobem,

Imediatamente.

 

 Berta Brás

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