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A bem da Nação

ENERGIAS RENOVÁVEIS E POLUIÇÃO

 

EVM-parque eólico.jpg

 

Os efeitos do CO2 na alteração climática parecem ser óbvios e reconhecidos. E felizmente o ‘mundo’, sobretudo o rico, já se convenceu de que não pode ver tranquilamente ‘a banda passar’, sem uma actuação no sentido de reduzir as emissões. Como é óbvio os que mais energia consomem, os países ricos, mais poluem. Há países com uma cultura milenar, para quem a conservação da natureza e quanto a compõe é uma dever, para não criar desequilíbrios. É o caso da India, com quem se pode aprender muito, da sua sabedoria acumulada.

 

Há uns anos atrás, a Chief Minister de Delhi, Sheila Diskit, decretou que todos os taxis e rickshaws da cidade só podiam ser movidos a gás dentro de 1 ano. E assim se fez, melhorando sensivelmente a qualidade do ar. Outras iniciativas se tem tomado, como circularem as matrículas par ou impar… Mas o alívio maior deve vir com maior uso dos transportes colectivos, em especial o Metro, e dos carros eléctricos. Estes já se fabricam na India, mas agora verão aumentar a produção (marca Mahindra, Reva).

 

De facto, a Índia com uma população 1290 milhões, tem dado a maior atenção às fontes energéticas, por ser também o país de maior crescimento económico, como se espera que seja nos próximos 20 anos, pelo menos. Como faz? Ainda quando não era compensador produzir energia renovável sob certas formas –a solar e a eólica­–, ela fê-lo e vai continuar célere.

 

Em concreto, está a fazer os aproveitamentos hidroeléctricos possíveis, com as precauções de realojar famílias deslocadas e minimizar os impactes ambientais; e,  marcou metas muito elevadas para a energia eólica e solar.

 

Dos 25.000 MW eólicos já instalados e a produzir (Dez. 2015), quer dar o salto para os 60.000 MW em 2022. Tem uma boa indústria para a produção de grupos geradores, embora a limitação seja o baixo factor de aproveitamento, de cerca de 15% apenas. Hoje a Índia ocupa a 4ª posição mundial nesta energia, o que não é mau.

 

Da energia solar, tem instalados e a produzir 5.130 MW (Jan. 2016), o que é um valor bom, comparado com países desenvolvidos. Pretende chegar aos 100.000 MW em 2022. É uma meta ousada, pois a tecnologia está em maturação, com baixo rendimento por m2 de incidência solar, e os custos unitários a caírem, sendo já competitivos com o KW produzido por via térmica. Faz falta uma evolução para maior concentração do calor, e menos área por MW instalado. Há investigação e progressos…

 

Estas duas formas têm a dupla vantagem: produzem energia sem libertação do CO2 e criam trabalho a montante na fabricação de geradores eólicos e células ou painéis foto voltaicos, tão desejados pelo Programa ‘Make in India’.

 

Qual a razão do ‘Make in India’? A Índia nas mãos dos colonizadores britânicos ficou destruída na sua capacidade de produzir riqueza: se em 1700 produzia, segundo Angus Maddison, 27% da riqueza mundial, que era transferida para o RU, nessa altura, a Europa, no seu todo, apenas produzia 23% da riqueza do mundo! Logo após a saída dos ingleses, em 1952, a Índia só produzia 3% da riqueza mundial! Alguém se lembrará que é natural, por o perfil da riqueza se ter alterado de 1700 para 1952. Talvez… Mas tome-se em conta que a Índia, já em 1500, tinha serviços: comerciava e transportava para as vizinhanças próximas e longínquas as especiarias, sedas, pigmentos, açúcar, diamantes, etc…. Não era só potência agrícola, como a Europa; e só assim se entende a pressa em despachar Vasco da Gama para a Índia, porque a vantagem é sempre de quem chega primeiro.

 

Em 1991 a Índia teve o seu renascimento económico com a abertura da economia e aproveitou o seu escol de engenheiros e licenciados em variadas saberes, bem preparados e sub-aproveitados, e começou a criar riqueza em serviços de TI, a melhorar a agricultura e a retomar a indústria decadente. Sem boas infraestruturas, foi pela senda mais óbvia: dos serviços e, destes, os de mais fácil transporte, à velocidade da luz, pela internet.

 

O período de 1950 a 1991 fôra de completa esterilidade, com o anacrónico modelo económico, altamente intervencionista, designado de ‘socialismo indiano’. Não se criou trabalho, nem riqueza, em valores substanciais, para a retoma económica. Esta, só começou em 1991, quando a iminência da ruptura financeira obrigou à abertura económica, com competição interna e externa. Isso, sim, melhorou a qualidade e os custos de todos os produtos fabricados localmente.

 

De há tempos, o Primeiro Ministro Modi está a focar na industria, com o vigoroso programa ‘make in India’, ao ser a indústria quem cria mais postos de trabalho, de menor qualificação, por unidade de capital investido. As energias vão ser um pequeno motor do programa.

 

A Índia tem também longa experiência na geração de energia nuclear, pois construiu e explora 18 centrais e tem alguma potencia adicional em instalação. A energia nuclear pode ter o problema da radioactividade, controlável. E tem associado o receio permanente de algum acidente, que pode ter efeitos imprevisíveis.

 

A energia hídrica é limpa; pode ter impactes muito limitados sobre o clima e a fauna local. Dos cerca de 94.000 MW de potencial hídrico já estão aproveitados 42.000 e programados outros.

 

Ao ter pouco petróleo e gás, a Índia é hoje dos países que muito racionalmente procura satisfazer as suas necessidades de energia, explorando com moderação o carvão, apesar de ter o subsolo muito rico desse combustível, que é poluente. Segue assim a via mais onerosa, das energias renováveis, esperando que dêem experiência e conhecimentos para as ir tornando mais económicas a prazo.

 

Eugenio Viassa Monteiro.jpg

 Eugenio Viassa Monteiro [1]

 

[1] Professor da AESE-Business School. Dirigente da AAPI-Associação de Amizade Portugal-Índia

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