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A bem da Nação

ELES ANDAM POR AÍ…

Foi Raymond Aron que, a págs. 91 da edição portuguesa das suas “Memórias”, me champu a atenção para o facto de a prevalência histórica do capitalismo sobre o determinismo histórico marxista ter esvaziado a Europa ocidental da revolução proletária, o que conduziu Herbert Marcuse – que viria a ser considerado o principal ideólogo do Maio de 68 - a virar-se para os contestatrários que prevaleciam, mesmo que numa sociedade em permanente mutação, isto é, os que rejeitavam os apelos do consumo e a integração na sociedade capitalista moderna.

Herbert_Marcuse_in_Newton,_Massachusetts_1955_jpeg

Herbert Marcuse (1898-1979)

E a partir desta chamada de atenção, procurei alguma informação mais e fiquei a saber que Marcuse viu, ainda que com certa cautela,  naquele “substrato de párias e estranhos, de explorados e perseguidos”, que se somavam aos guerrilheiros do terceiro-mundo,  uma possível esperança do sistema capaz de atenuar o seu pessimismo revolucionário.”

Contentes ou não, pareciam-lhe os únicos capazes de tirar os jóvens da acomodação, de sacudirem a sua falsa consciência social. Eram uma força elementar que violava as regras do jogo e ocupava o papel de povo eleito no novo messianismo libertário.

O filósofo pugnou por um novo principio da realidade assente noutras formas produtivas [1] que não aquelas que então imperavam nos EUA e defendeu  que a progressiva liberdade sexual dos anos 60 era uma artimanha capitalista para tornar a juventude conformista e acomodada com a vida. O sexo, assim como era entendido naquela época, era o ópio da juventude. Marcuse parecia ter chegado a acreditar ser possível chegar-se à utopia.

Não alcançada a utopia, a tecnologia trazia, pela exigência excessiva de racionalidade, um enorme potencial totalitário.  O avanço tecnologico, mesmo que pervertido pelos sucessivos Governos para gerar desperdício, consumo conspícuo e armamentos, poderia ser resgatado para a construção de uma nova utopia, a de uma sociedade harmoniosa habitada por gente feliz, saudável,  libertada das opressões viciosas que a cercavam. Este, o seu horizonte histórico, a sua utopia.

Passados muitos anos dessas profecias e “utopias” e desde a sua morte em 1979, Marcuse, tido por “pai da nova esquerda", desapareceu dos fora académicos e dos internacionais. Mas…

… eles andam por aí,«bloqueados», por muito que seja o irrealismo das utopias.

Com a diferença de que os nossos marcusianos actuais não são aquele substrato de párias, estranhos, explorados e perseguidos que se somam aos guerrilheiros do terceiro-mundo. Os nossos bloquistas são intelectuais maduros mas claramente adeptos da «grande recusa», são potencialmente destrutivos e seguramente utópicos.

É uma pena haver tantos outros, não-bloquistas, a darem-lhes argumentos morais, éticos e legais para a sanha destruidora que os move.

Enfim, uns e outros, empenhados na destruição da nossa sociedade, também ela harmónica e não rancorosa, democrática e não dogmática, solidária e não leonina, de liberdade e sem espartilhos ideológicos que nós, os vulgares, afanosamente tentamos tecer.

É que, afinal, o «Bloco de Equerda» existe por culpa dos maus exemplos de quem se serve do Estado em vez de servir a Nação.

Aturemo-los… mas urge dar uma volta à democracia portuguesa.

Junho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

BIBLIOGRAFIA:

Voltaire Schilling - «Marcuse , o apóstolo da Grande Recusa»

https://www.terra.com.br/noticias/educação/historia/

 

[1] - Procurei debalde informação sobre que novas formas Marcuse propunha.

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