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A bem da Nação

«...E VÓS TÁGIDES MINHAS...» - 2

ou

O MUNDO VISTO A PARTIR DE LISBOA

 

Consta que, na primeira versão do «Regulamento de Disciplina Militar», o Conde de Lippe terá mandado escrever algo como «o Sargento deve saber ler, escrever e contar, pois, o Oficial, sendo nobre, pode não saber» - séc. XVIII, reinado de D. José;

Dizia Eça de Queiroz na segunda metade do séc. XIX que «Portugal é Lisboa e o resto é paisagem».

* * *

Depois de D. João Peculiar ter estado seguramente por trás de D, Afonso Henriques na definição dos interesses estratégicos que conduziram à afirmação da Soberania Portuguesa, depois de João das Regras ter claramente estado por trás de D. João I na definição da defesa contra Castela como elemento essencial da nossa estratégia e depois de D. João II não ter precisado de ninguém para definir a edificação do Império como a melhor forma de nos defendermos da cobiçosa vizinhança ibérica, chegou ao fim a nossa «gloriosa era joanina» e qualquer João sequente foi apenas um mero executante.

Até que tudo ruiu e regressámos às Berlengas.

Foi então que deixámos de ter que manter o povo insatisfeito por cá para que se decidisse por melhores horizontes e fosse tomar posse do Império. Esta, uma opção estratégica que, sendo vergonhosa, nunca foi reconhecida mas que, afinal, foi o «segredo da abelha» em relação à duração do Império: a baixa condição cultural do colono branco facilitou a misceginação e a criação de ambientes de paz.

Perdidos os anéis. Foi a hora de tratar dos dedos, o capital humano.

A iliteracia rein, vergonhosa, não consta dos anais da História Pátriaava ou era reinante?

Não vou perder tempo com jogos de palavras, apenas constato que em 1910 o analfabetismo adulto era um flagelo que afectava a quase totalidade da população e que em 2022 ainda estamos longe dos níveis de instrução há muito alcançados pelos países norte-europeus. Não estranhemos, pois, a inércia que temos de vencer arrastando hordas sem instrução nem formação moderna.

Demorámos tempo demais a vencer a doutrina que dizia que «o povo é muito mais feliz quanto mais ignorante for». Ainda não derrubámos políticas estaticistas (o chamado «trabalhar para as estatísticas») para nos enganarmos a nós próprios e talvez (?) as estatísticas internacionais. Refiro-me a mentiras como as “socráticas ”«Novas Oportunidades» e ao actual «RVCC – Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências», programas essencialmente facilitadores de «obtenção de falsos canudos», sem a exigência curricular típica do ensino regular.

Compreende-se que deva haver um estímulo, mas nada que afecte a exigência curricular. Por exemplo, aos alunos «fora de prazo» (25 anos<) que queiram completar o nível obrigatório, permita-se-lhes apresentarem-se a uma disciplina em cada época de Exames de Estado na mesma base curricular exigida aos «alunos atempados».

Outra «mentira» é o «Instituto do Emprego e Formação Profissional» que há muito tempo deveria ter sido partido com a competência do Emprego valendo como Agência Estatal de Emprego e a valência da Formação absorvida pelo ensino regular.

A opção estratégica por que optámos de valorização do nosso capital humano não é compatível com «mentiras» nem sequer com «poeira para os olhos».

Lisboa, 17 de Setembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

REALCES DAS «TÁGIDES»

  1. Pertença à NATO;
  2. Valorização do capital humano.

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