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A bem da Nação

DOS PREÇOS AGRÍCOLAS

 

Começo por louvar a iniciativa governamental «Programa Mais Cereais» que sendo imprescindível, parece não ser suficiente.

  1. A autossuficiência cerealífera nacional (~19% do consumo) tem a ajuda dos preços determinados pelas Bolsas de Paris e de Chicago como mais um complemento distorçor da racionalidade.

Os custos de contexto das agriculturas francesa e americana são muito diferentes dos homólogos portugueses, daí, ser absurdo praticar em Portugal os preços de formação alienígena.

Quanto aos locais onde se combinam preços para certos produtos (v.g. porco no Montijo vaca e cereais em Lisboa,…) não garantem a transparência do método de formação dos preços pois que se trata apenas de saber qual o «lobby» mais forte – os lances são nominais (em nome de cada Associação/empresa representada na mesa da negociação), consideram apenas mercadoria à vista (não fazem operações sobre futuros), não criam o verdadeiro garante da transparência que é o mercado secundário.  Ou seja, não são Bolsas, são locais de primarismo mercantil que, para além do já referido, não dão acesso ao crédito bancário – nas Bolsas, as operações efectivadas são tituladas por documento endossável e descontável.

Só em mercados transparentes se formam preços efectivamente consensuais: um mercado é transparente quando a Oferta e a Procura se encontram livre e anonimamente (sem condicionantes administrativas ou legais e sem pressões lobistas), com divulgação pública das cotações de venda, de compra e efectivadas tanto para mercadorias à vista como para futuros e derivados (combinações de várias mercadorias). Ora, nada disto existe em Portugal pelo que podemos afoitadamente afirmar que os nossos mercados não são transparentes com evidente prejuízo da Oferta /produção como os baixíssimos níveis de autossuficiência demonstram.

PRIMEIRA CONCLUSÃO - Urge instituir a Bolsa de Mercadorias seja ela pública, privada ou mista.

 

  1. A independência hídrica nacional pode ser alcançada com a dessalinização por alambiques solares-eólicos, ou seja, sem a aleatoriedade da chuva ou a chantagem espanhola. Mais: utilizando apenas energias gratuitas e não consumindo as dispendiosas membranas para a osmose, o custo da água é assim quase nulo. Estes baixos custos correspondem apenas à amortização do investimento (~20 anos) e as despesas de manutenção. Tudo isto pode ser mais do que compensados pela comercialização da salmoura/sal gerando custo negativo (lucro) para a água dessalinizada à saída do alambique.
  2. Considerando que a Produção Interna de Cerais (PIC) em níveis de razoabilidade económica (não entrando por terras de marginalidade evidente) nunca ultrapassará o nível de ~50% do consumo de cereais, parece necessário passarmos a pensar nos moldes de Produção Nacional de Cereais (PNC) procurando produzir lá fora o que não conseguimos produzir cá dentro. Estou a pensar no sul da Tunísia e na Líbia Sirenaica.

Concluo renovando o louvor ao «Programa Mais Cereais»

1 de Janeiro de 2026, no 22º aniversário deste blog

 Henrique Salles da Fonseca

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