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A bem da Nação

DO MEU «LOROSAE» - 9

«Nunca se mente tanto como antes de umas eleições, durante uma guerra ou depois de uma caçada».

Há quem atribua este aforismo ao Barão Otto Von Bismarck mas eu não creio que ele soubesse o que eram eleições. Contudo, mais importante que a autoria da frase é o seu conteúdo, o objectivo da mentira. Deixemos as eleições e as caladas e passemos para o que por agora mais nos preocupa, a guerra.

Pergunta - Para quê mentir na guerra travada na época dos satélites espiões?

Resposta – Para o mentiroso se enganar a si próprio.

E agora venho a outro aforismo» É fácil enganar algumas pessoas durante algum tempo mas é impossível enganar muita gente durante muito tempo.»

É que, mesmo que o telejornal minta, o caixão à porta de casa com os restos do filho morto na guerra não engana a família destroçada. Foi assim que a URSS foi corrida do Afeganistão. O desespero das «matriokas: não há regime policial que aguente uma Nação desesperada. E mesmo que o KGB seja uma «fábrica de monstros», também os há que cedem às suas próprias «matrioskas» e estas, sim, são o pilar de todas as sociedades.

Não creio nas capacidades adivinhatórias de cartomantes nem de astrólogos mas não prevejo nada de bom para o momento em que a «marmita da Papin» russa atinja o limite da pressão a que está a ser submetida desde que morreu o primeiro soldado russo. A sociedade russa está contida num sistema fechado, sem válvulas de despressurização enquanto a ucraniana pode contar com a diáspora, com a solidariedade internacional e com informação tão realista ou tão fantasiosa quanto a que circula no mundo livre. Ou seja, a sociedade ucraniana tem modos solidários de fazer os seus lutos; os dramas russos são vividos em contenção potencialmente explosiva.

Mais: parte (que não sei quantificar) dos efectivos humanos das Forças Armadas ucranianas é constituída por voluntaristas enquanto do lado russo não tenho informação de teor semelhante. Dizem os fleumáticos «inteligentes» britânicos que do lado russo campeia a indisciplina militar. Será? Se sim, é mau para Putin.

Preparando uma conclusão, registo três factos: Kiev foi bombardeada pelos russos quando Guterres lá esteve: o porto de Odessa foi bombardeado logo após a assinatura do acordo mediado pela ONU para escoamento dos cereais até então retidos nos portos ucranianos; a missão da Agência Internacional da Energia Nuclear está sob pressão militar russa na visita à central de Zaporíjia.

Conclusão nº 1: a Rússia de Putin ataca a ONU assim se auto isolando do concerto internacional.

Conclusão nº 2: a Rússia, sem ser expulsa da ONU, devia perder ali o direito de voto e, por maioria de razão, o de veto.

4 de Setembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

 

Nota de pé de página: de regresso a Lisboa, fica em Tavira o meu «Lorosae» mas levo esperança na bagagem.

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