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A bem da Nação

DO DESENVOLVIMENTO - 6

tirado que foi no texto anterior o marxismo totalitário para o lixo da História, com ele foram algumas peças essenciais desse ordenamento político, nomeadamente a ditadura do proletariado, a diabolização do lucro e o determinismo histórico.

Excisados esses tumores malignos do pensamento revolucionário, adoptou-se a via cordata e o marxismo passou a chamar-se «socialismo democrático» e «social democracia».

Oriundos do marxismo duro em que prevalecia a propriedade pública de todos os meios de produção, o «socialismo democrático» passou a admitir que os sectores não essenciais pudessem ser privados e a «social democracia» admite que tudo possa ser privado mas fortemente tributado. Não fora a evolução histórica da democracia ocidental e estas duas correntes de pensamento poderiam ter gerado modelos de desenvolvimento substancialmente diferentes. Mas ambos acabaram por se encontrar na prática liberal e na forte tributação do cidadão que ouse produzir alguma riqueza.

Continuando a abordar o tema na grande generalidade, os dois conceitos de bem comum também actualmente não diferem substancialmente e as estruturas partidárias que suportam cada opção tendem a distinguir-se sobretudo pelas respectivas bases sociológicas estaminais. Na actualidade, ultrapassada a era dos fundadores, já nem essa base sociológica é assim tão díspar. Se na origem do socialismo democrático estava uma base humana de índole laboral industrial e no movimento social democrata se aglutinava uma base laboral dos serviços e uma pequena burguesia, com o aburguesamento geral da população afecta à indústria, passaram os Partidos a disputar o apoio de uma massa humana entretanto homogeneizada. Sem uma base doutrinária definidora das suas próprias características no que respeita a modelos de desenvolvimento e de conceitos de bem comum, os Partidos em compita distinguem-se apenas como núcleos de pertença clubística, como grupos de pressão com mais ou menos transparência, com maior ou menor influência de seitas e tendências.

Em Portugal, anoto dois factos históricos enformadores de toda esta matéria:

  • A decisão do Dr. Francisco Sá Carneiro de fundar o «PPD – Partido Popular Democrático» onde congregou parte importante da «ala liberal» da «ANP - Acção Nacional Popular» do Professor Marcelo Caetano que, por sua vez, derivara da «UN - União Nacional» do Doutor Salazar e que, carecendo de reconhecimento internacional, escolheu a denominação complementar (que estava livre) de «PSD – Partido Social Democrata» assim se vestindo uma farda de origem marxista a uma base sociológica oriunda da direita não obrigatoriamente democrática (eis o spin-off a que se chama «Chega»);
  • O momento em que o Dr. Mário Soares, então Primeiro Ministro (II Governo Constitucional) anunciou ao país que «metera o socialismo na gaveta» - e o «PS» nunca mais voltou a ser socialista.

Assim se compreende como em Portugal…

  • … qualquer solução governativa do «bloco central» se assemelha a um «saco de gatos»;
  • … o sindicalismo ou é comunista ou não é sindicalismo;
  • … por que na nossa «praça política» ninguém discute modelos alternativos de desenvolvimento;
  • … o conceito de bem comum se confunda com os níveis de consumo e de ostentação.

(continua)

Janeiro de 2021

Henrique Salles da Fonseca

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