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A bem da Nação

DE FÉRIAS – 6

 

- Boa tarde! Está há muito tempo à minha espera?

 

- Boa tarde! Não, cheguei agora também. Lembra-se do que ontem prometeu?

 

- De falar sobre a questão dos preços, não é?

 

- Exacto!

 

- Vou falar de agricultura e pescas na generalidade, não vou referir-me a nenhum produto em especial mas começo já por dizer que me refiro sempre a produtos tipificados, com características perfeitamente conhecidas de toda a gente que os queira comprar ou vender.

 

- Muito bem, uma conversa geral.

 

- Portanto, refiro produtos standard, não aquelas favas que são muito melhores que todas as outras nem o meu milho que é único nas redondezas. Refiro-me à sardinha de um determinado tamanho, não à petinga nem aos «jaquinzinhos» que é proibido pescar.

 

- Sim, tudo igual e legal.

 

- O que se passa em Tavira passa-se no resto do país mas eu acredito que o absurdo da formação dos preços em Portugal tem que quebrar nalgum sítio e esse pode perfeitamente ser cá. Os agricultores começam por produzir e só depois é que vão à procura de cliente que, habitualmente, é um comerciante. E quando o encontram, a conversa é mais ou menos assim: «Ou me vendes as batatas pelo preço que tas quero comprar ou elas te apodrecem no armazém e ficas sem elas e sem o dinheiro que te quero dar por elas agora.» E como, do mal, o menos, o agricultor vende-lhas pelo preço que o comerciante diz. Já nas pescas o problema é outro porque na lota o leilão vem de cima para baixo e por vezes o preço vem até tão baixo que já há um nível a que se chama «preço de retirada» em que o lote de peixe sai da venda e é entregue a uma instituição de caridade pelo tal preço ridículo. Mas não volta para quem o pescou; entra na lota e o pescador nunca mais é dono dele. Os comerciantes não arriscam nada, tanto na agricultura como nas pescas e, contudo, são eles que ditam os preços por que querem comprar os produtos.

 

- E como é que se dá a volta a isso?

 

- Distribuindo o risco tão equitativamente por todos os intervenientes (produtores e compradores) quanto possível de modo a que ambas as partes tenham uma palavra a dizer na definição do preço por que se faz a transacção.

 

- E como é que se faz isso?

 

- Na lota, bastaria fazer o leilão de baixo para cima de modo a que os comerciantes se picassem uns aos outros em vez de fazerem o cambão de cima para baixo; na agricultura, fazendo preços sobre futuros.

 

- O que é isso do preços sobre futuros?

 

Bolsa de Mercadorias e Futuros.jpg

 

- O produto ainda não existe e há um sítio em que os produtores (em «economês», a Oferta) e os comerciantes (a Procura) se encontram e perguntam uns aos outros quanto valerá um determinado produto (A) dentro de um certo prazo. Uns dizem X e os outros dizem Y. Ao longo do dia pode acontecer que X e Y se igualem e, nessas condições, o acordo estabelece-se e assina-se um contrato ao abrigo do qual o produtor se compromete a entregar no prazo indicado uma certa quantidade do produto A ao preço X=Y e o comerciante se compromete a comprar nessa data futura, por esse preço, a dita quantidade do produto A. E por que é que X e Y se igualaram? Pois bem, porque o preço era conveniente para ambos: o produtor irá de seguida deitar as máquinas à terra porque sabe que na data futura terá o produto que venderá ao preço que para ele é conveniente; o mesmo se diga para o comprador que terá mercado para a dita mercadoria. Ou seja, o risco do negócio distribui-se equitativamente pelos dois intervenientes em vez de recair apenas sobre um deles, como actualmente.

 

- E acha que isso se pode fazer cá em Tavira?

 

- Em Évora faz-se e só falta fazer evoluir o processo envolvendo o sistema bancário.

 

- Como?

 

- Bem, isso fica para amanhã. Pode ser?

 

- Sim, pode. Então até amanhã.

 

- Até amanhã.

 

(continua)

Barril-2SET18 (2).jpg

 Henrique Salles da Fonseca

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