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A bem da Nação

DAS MINHAS NAVEGAÇÕES E ALHEIAS

SOCOTORÁ

 

Verás defronte estar do Roxo estreito

Socotorá, com o amaro Aloé famosa.

(Os Lusíadas - Canto X - estrofe 137)

 

Antiguidade

Na Antiguidade, a ilha encontra-se referida no "O périplo do mar Eritreu" (manuscrito, século I) como "Dioskouridou" em alusão ao autor greco-romano Dioscórides. Entretanto, nos nossos dias, o arqueólogo e antropólogo G. W. B. Huntingford, assinala que a toponímia "Socotorá" é de origem grega, mas que procede do sânscrito "dvipa sukhadhara" ("ilha da felicidade").

No século X, o geógrafo árabe Almaçudi comentou que a maioria dos habitantes das ilhas eram cristãos.

 

Descobrimentos portugueses

À época dos Descobrimentos portugueses, é provável que o primeiro navegador a alcançar a ilha tenha sido Vicente Sodré, tio de Vasco da Gama, que ali terá feito aguada antes de se perder nas ilhas de Curia Muria (atual Omã) em 1503. No entanto, essa primeira descoberta é disputada por Diogo Fernandes Piteira (ou Pereira), segundo Damião de Góis e João de Barros que, de regresso ao reino, dele deu notícia a D. Manuel I. O navegador e militar António de Saldanha, que navegara na região rumo ao estreito do Mar Vermelho, confirmou em Lisboa a bondade da ilha em portos e quanto à provável existência de cristãos descendentes dos habitantes que o apóstolo São Tomé doutrinara aquando do seu naufrágio no local a caminho da Índia.

Para além da aparente população cristã que a Coroa Portuguesa considerou urgente libertar da servidão imposta pelo rei muçulmano de Fartaque (atual cabo Fartak, no Iémen), Socotorá, localizada à "mão esquerda entrando para o estreito, junto ao cabo Guardafui", aparentava ser uma peça-chave para o controle do Mar Vermelho. Por essa razão, D. Manuel traçou um plano de conquista da ilha incumbindo Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque dessa missão e de nela instalarem uma fortaleza. Para esse fim, fez embarcar uma estrutura de madeira prefabricada em Lisboa. A conquista da ilha teve lugar em 1507, sob o comando de Tristão da Cunha, após a tomada da Fortaleza de Soco (à época, escrita Çoco), guarnecida por 120 homens sob o comando do "mui valente cavaleiro e sem medo nenhum" Coje Abrahem, filho do rei de Caxem (atual Qishn), cidade a alguns quilómetros do cabo Fartak.

 

O Forte de São Miguel de Socotorá

As obras da fortificação ficaram a cargo do mestre de pedraria Tomás Fernandes. Sob a invocação de São Miguel, ficou sob o comando do capitão D. Afonso de Noronha tendo a mesquita local sido convertida em igreja sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória e a orientação de Frei António do Loureiro, guardião do mosteiro franciscano de São Tomé, o primeiro fundado extramuros e também o primeiro fundado no Estado Português da Índia.

 

Do século XVI ao XIX

A infertilidade da terra e o isolamento da praça em pleno território controlado pelo inimigo, levou a que, tanto a guarnição militar quanto os religiosos, fossem assolados pela fome, pelas doenças e pelos levantamentos dos muçulmanos, recebendo socorro apenas após a conquista de Ormuz por Afonso de Albuquerque (1507). Em pouco tempo, entretanto, a tese de que era essencial a ocupação de ilhas para o controle das rotas marítimas, começou a perder peso na estratégia portuguesa na região. A Fortaleza de Angediva havia sido abandonada (1506) e assim o seria o Forte de Socotorá (1511) e o Forte de Quíloa (1512).

A evacuação de Socotorá fez-se com o recurso às naus de Diogo Fernandes de Beja que não apenas fez demolir a fortificação até aos alicerces como transportou toda a sua guarnição para reforço de Goa e mais de duzentas mulheres e demais cristãos da terra, assim como a artilharia e demais apetrechos.

Com a retirada portuguesa, o arquipélago passou para o controle dos sultões Mahra.

A ilha continuou a servir de ponto de aguada aos portugueses tendo nela permanecido sempre um ou dois missionários. Alguns dos cristãos no local foram catequizados por São Francisco Xavier aquando da sua passagem para a Índia (1542), que descreveu a ilha como "(...) terra desamparada e pobre, não crescendo nela nem trigo, nem arroz, nem milho, nem vinha, nem fruta: é muito estéril e seca".

Entre 1540 e 1541 foi descrita por D. João de Castro, que registou: "(...) em todo o circuito da ilha não há porto nem outra alguma estância onde possa algum navio invernar seguramente". Em suas águas várias embarcações naufragaram, sendo a mais famosa o galeão Santo António, sob o comando do capitão Manuel Pais da Veiga, tendo como piloto Aleixo da Mota, em 1601.

Em termos económicos, os portugueses extraíam poucas matérias-prima, essencialmente o "sangue de dragão" (seiva de dragoeiro) e o aloé, este último utilizado como adstringente e purgante intestinal.

 

Do século XIX aos nossos dias

Devido à sua posição estratégica, passou a ser um protectorado britânico em 1886 controlando o estreito de Áden.

Com a independência do Iémen (1967), passou à sua soberania.

 

(Da Internet, Autor não identificado)

Por ali naveguei em Março de 2019 com piratas a bombordo e uma guerra civil (no Iémen) a estibordo. Mas passámos incólumes.

 

Junho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

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