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A bem da Nação

“DAS KAPITAL”

Piketty.jpg

 

A partir do escaparate duma das livrarias que visito semanalmente, estive há dias com o livro de Thomas Piketty nas mãos, «O capital no séc. XXI». Passei os olhos pelo Índice mas, muito sinceramente, não me apeteceu comprar. E em boa hora o fiz pois logo de seguida a minha amiga Internet me chegou com diversas recensões, nomeadamente as referidas na bibliografia que apresento no final do presente texto.

 

Então, como diria Monsieur De La Palisse, comecemos pelo princípio recorrendo ao The Economist que resume o livro em quatro parágrafos que traduzo mas de que apresento apenas as ideias que tive por fundamentais:

 

  1. É o livro das perspectivas para a desigualdade global. Alguns acham que anuncia uma mudança pronunciada nas questões relativas à distribuição da riqueza. Este jornal elogiou o Sr. Piketty como "a Marx moderno". Mas do que se trata realmente?

 

  1. O livro resulta de mais de uma década de pesquisa de Piketty e de um conjunto de outros economistas, detalhando as mudanças históricas na concentração do rendimento e da riqueza. Uma grande quantidade de dados permite ao Autor esboçar a evolução da desigualdade desde o início da revolução industrial. Durante os séculos XVIII e XIX a sociedade europeia foi muito desigual com a riqueza privada a comprimir o rendimento nacional e, mesmo assim, concentrando-o nas mãos das famílias ricas que se sentaram em cima de uma estrutura relativamente rígida de classes. Este sistema persistiu mesmo com a industrialização contribuindo muito lentamente para o aumento dos salários. Apenas o caos provocado pelas duas guerras mundiais e a grande depressão interromperam esse padrão. Impostos altos, inflação, falências e o crescimento dos Estados-providência fizeram a riqueza encolher dramaticamente marcando o início de um período em que tanto o rendimento como a riqueza foram distribuídos de modo relativamente igualitário. Mas mal os choques do início do século XX se apagaram, a riqueza reafirmou-se aproximando-se dos níveis vistos pela última vez antes da primeira guerra mundial.

 

  1. A partir desta história, Piketty desenvolve uma grande teoria do capital e da desigualdade. Como regra geral, ele afirma que a riqueza cresce mais rapidamente do que a produção económica; que, «ceteris paribus», o maior crescimento económico reduz a importância da riqueza ao passo que um crescimento mais lento aumenta essa importância; as alterações demográficas alteram o crescimento global e o domínio do capital; apenas uma explosão do crescimento (do progresso tecnológico ou do aumento da população) ou a intervenção governamental podem contar para que as economias regressem ao "capitalismo patrimonial" que preocupava Karl Marx. Piketty conclui com a recomendação de que os governos devem agora lançar um imposto global sobre a riqueza para evitar que a desigualdade aumente contribuindo para a instabilidade económica e política.

 

  1. Sem surpresa, o livro foi muito criticado. Há quem questione se Piketty tem o direito de pensar que o futuro possa ser semelhante ao passado. Que a sua teoria defende ser cada vez mais difícil obter uma boa remuneração sobre a riqueza quanto maior ela for. Que, actualmente, os super-ricos provêm sobretudo do trabalho e não das heranças. Outros argumentam que as recomendações políticas de Piketty são mais influenciadas ideologicamente do que por argumentos económicos podendo fazer mais mal do que bem. No entanto, muitos dos cépticos têm palavras amáveis para com o livro no que respeita aos dados apresentados e sua análise. Finalmente, quer Piketty consiga ou não mudar a política, ele vai por certo influenciar milhares de leitores e mesmo muitos economistas sobre o modo de pensarem estas questões.

 

AUTOR NÃO IDENTIFICADO in “THE ECONOMIST”, 4MAI14

 

Setembro de 2015

 

 

De Denang para Hué.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

  • The Economist explains - Thomas Piketty’s “Capital”, summarised in four paragraphs
  • João César das Neves – A FAMA DE PIKETTY
  • The Federalist – SIX DEMONSTRABLY FALSE CLAIMS IN THOMAS PIKETTY THEORY OF WEALTH

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