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A bem da Nação

DA RAZÃO E DA SUA FALTA

Por vezes, é bom sermos confrontados com ideias contrárias às nossas convicções mais ou menos profundas, mais ou menos importantes. Mas esse confronto que não seja sistemático que é para não… não que? … não atirarmos com os «aparelhos» ao ar.

Assim foi que há dias alguém me enviou uma mensagem que, em resumo, dizia que o uso da máscara era um triunfo do Islão sobre o Ocidente e assim foi também que, ao ler uma biografia de Nietzshe, fiquei a saber que ele considerava perversa a exegese cristã.

Então, por ironia das circunstâncias, eu que sempre fui contra as burkas e vestimentas quejandas, dou agora por mim a pugnar pelo uso universal das máscaras e eu, que sempre fui contra a não interpretação dos textos sagrados, dou por mim agora a ter que meditar um pouco mais sobre a perversão exegética.

* * 

  1. Claro está que as burkas e suas variantes mais ou menos rigorosas são instrumentos da misoginia muçulmana destinadas a humilhar a mulher que, consideram eles, é um ser inferior. Contudo, um dos absurdos deste pensamento é o facto de os homens se estarem a classificar a si próprios como filhos de seres menores. Com a evidência de que, ao abrigo das Leis de Mendel, ao filho de um ser menor não corresponder muito provavelmente um ser superior, o destino da «raça» sucessivamente miscigenada com seres menores, não poderá ser brilhante e, pelo contrário, conduzirá à menoridade completa. Portanto, ao fim de catorze séculos dessa doutrina, das duas, uma: ou eles já estão completamente diminuídos ou a doutrina está errada – até porque as Leis de Mendel, essas sim, estão correctas. Obviamente, a ideia da inferioridade feminina é um sofisma. Quanto ao uso universal – mais ou menos temporário - da máscara, não tem qualquer objectivo de subalternização de ninguém e, pelo contrário, pretende ser uma defesa contra o vírus que por aí anda a mando dos chineses. Obviamente, o Islão nada ganhou sobre o Ocidente e quem divulgou essa ideia absurda perdeu uma boa oportunidade para estar quieto.
  1. Já quanto à exegese, temos que reconhecer que o estilo parabólico de muitos textos fundacionais de várias religiões e a própria evolução do estilo literário e da capacidade de entendimento humano, não é compatível com a mera literalidade desses textos estaminais (cujas formas literárias podem hoje ser consideradas desactualizadas para não lhes chamar primitivas), a exegese é indispensável. E se, ao longo dos séculos, essas interpretações foram sucessivamente virtuosas ou perversas, é de esperar que a inteligência do homem moderno consiga expurgar o mau e fazer a apoteose do virtuoso. Mas exegese, sempre. Portanto, o Senhor Friedrich Nietzsche não tinha razão – mas eu estou em crer que se ele tivesse conhecido o actual Sunismo, talvez também concordasse comigo no sentido de que as religiões não podem ser seguidas à letra.

Maio de 2020

Henrique Salles da Fonseca

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