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A bem da Nação

CURTINHAS CXXXI

Baía de Santander.png

 

O MUNDO FINANCEIRO NÃO É PARA TANSOS

 

 

  • Agora que se anuncia uma nova CPI para apurar as causas e os responsáveis de mais outra desgraça bancária (no caso, o BANIF), convém recordar alguns factos.

 

  • Desde logo, é óbvio que nem a Comissão Europeia, nem o EUROGRUPO, nem o BCE estão na disposição de tolerar Bancos “zombies” - principalmente, nas economias periclitantes da periferia da Zona Euro que não têm como socorrer os seus Bancos em crise. Tal qual a nossa, é bem de ver.

 

  • Um dos intervenientes neste caso é o Banco de Santander Totta (BST), filial em Portugal do Banco de Santander (Espanha): um dos maiores Bancos mundiais que FSB/Financial Stability Board, Comité de Basileia e BCE, todos, classificam como sendo sistemicamente importante a nível global (G-SIB/Global Sistemically Important Bank).

 

  • Trocado por miudos: Organizações inter-estatais que se preocupam com a estabilidade do sistema financeiro mundial e Bancos Centrais das economias mais desenvolvidas consideram que qualquer crise no Banco de Santander terá repercussões nefastas no sistema de pagamentos internacionais - para lá dos efeitos directos sobre a economia espanhola e as restantes economias onde esteja estabelecido.

 

  • Acontece que também sobre ele, Banco de Santander, paira a sombra do adágio: “grande nau, grande tormenta”. Num Banco, uma tormenta (leia-se, a exposição ao risco) é grande ou pequena consoante os Capitais Próprios que ele possua. Se os Capitais Próprios não forem adequados aos riscos a que se encontrar exposto, qualquer nortada mais rija (um surto de perdas não esperadas, por exemplo) poderá ter o efeito devastador de uma grande tormenta.

 

  • Acontece que o Banco de Santander, para passar com boa nota em alguns dos testes de stress conduzidos por EBA/European Banking Authority, pôs-se nas mãos de GOLDMAN SACHS para umas operações de cosmética que lhe disfarçassem, por uns tempos, as rugas que uma continuada exposição a muitos riscos lhe deixara. Cosmética que, viu-se logo, foi um sucesso.

 

  • Mas, neste ponto, o Banco de Santander estava, e está, longe de ser uma excepção. Todos os G-SIBs (nomeadamente, os G-SIBs europeus) sentir-se-iam mais confortáveis - e quem os supervisona dormiria algo mais descansado - se tivessem Capitais Próprios bastante mais elevados. Em vista disto, qualquer reforço dos Capitais Próprios é sempre bem-vindo - especialmente, se não exigir chamadas de capital (leia-se: pedir mais dinheiro aos accionistas).

 

  • Ao adquirir por € 150 M um património cujo valor líquido será, como tudo indica, positivo - para mais, beneficiando de uma garantia do Estado que cobre toda e qualquer perda que esse património vier a registar - o BST (e com ele o Banco de Santander, por via da consolidação contabilística): (i) sem pedir mais dinheiro ao seu accionista (o Banco de Santander), viu os seus Capitais Próprios crescerem na exacta medida do valor do património líquido que absorveu; (ii) consequentemente, viu o seu potencial de crescimento multiplicar aquele valor por 8 vezes - ou talvez mais.

 

  • É muito? É pouco? Só o saberemos quando for conhecida, ao pormenor, a composição do património transaccionado.

 

  • Mas, não sei porquê, não me larga a sensação de que este negócio terá algo a ver com as acções judiciais que o Estado Português interpôs contra o Banco de Santander por causa de umas swaptions que algumas Empresas Públicas muito nossas subscreveram despreocupadamente - e que deram para o torto há tempos. Recorda-se, Leitor?

 

  • É que, não sendo um quid pro quo que ponha termo ao episódio das swaptions, acaba por ser uma forma de pôr os contribuintes portugueses a darem para o peditório em prol do reequilíbrio financeiro de um Banco estrangeiro. Empurrados descaradamente por quem manda na Zona Euro.

 

 

JANEIRO de 2016

António Palhinha Machado

 

 

 

 

A. Palhinha Machado

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