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A bem da Nação

CRAVOS MURCHOS – 2

 

 

Como ia dizendo, «chegamos a uma grande e insolúvel incógnita: como teria sido escrita a História se os «jovens amigos» tivessem apoiado o «seu» Presidente do Conselho no dia em que ele foi humilhado no quartel do Carmo? O que sobre essa hipótese se disser não passará de pura especulação».

 

* *

 

Desde que comecei a pensar nestas «coisas», facilmente conclui que o regime do Doutor Salazar tinha chegado ao fim e nós, a juventude dessa época, nada tínhamos a ver com aquilo. Mas nasceu-nos uma nova esperança com Marcello Caetano e com a ala liberal da Assembleia Nacional.

 

Para mim, a caducidade do Consulado Salazarista resultava do imobilismo e consequente falta de perspectivas na resolução das grandes questões nacionais que se colocavam. Refiro-me à perspectiva política da questão ultramarina que estava a ser atamancada militarmente com a já inexistência de guerra em Angola, com uma situação controlada em Moçambique (mas que não poderia manter-se assim per secula seculorum) e uma situação mais complicada na Guiné. Registe-se que nas outras «províncias ultramarinas» não havia quaisquer conflitos armados.

 

Mas tudo se poderia militarmente precipitar com a rendição americana no Vietname e isso implicava uma aceleração do processo político. Marcello parecia querer essa evolução política mas Américo Thomaz é que não estava mesmo nada pelos ajustes.

 

Com Salazar não havia qualquer hipótese de podermos vir a fazer uma «Commonwealth of Nations» e essa esperança nasceu com Marcello Caetano pois tínhamos a consciência de que se tratava de problema a receber solução política e não apenas militar.

 

Com Salazar não se perspectivava um crescimento económico fulgurante – como se revelava imperioso – se bem que com o Ministro da Economia Correia de Oliveira tivéssemos tido uns laivos de progresso (sobretudo agrícola). Mas com Marcello Caetano parecia haver vontade política de aligeirar o sistema corporativo, discutia-se a «bondade» do condicionamento industrial, fez-se o complexo de Sines, criou-se o Banco de Fomento, a COSEC, o Fundo de Fomento da Exportação,... A esperança teve então razão de ser.

 

 

Com Salazar já era uma sorte termos quatro Universidades públicas (uma em Coimbra, duas em Lisboa e uma Porto) a que se juntou finalmente a Católica pela mão do Cardeal Cerejeira. Mas com Marcello Caetano foi possível enveredar pelo ensino superior não público, o que aconteceu em Évora onde tudo acabava no ensino secundário desde os tempos do Marquês de Pombal.

 

A revisão constitucional de 1972 deu azo a muitas das acima referidas discussões fundamentais, o que no tempo de Salazar seria inimaginável. Com Salazar, qualquer membro da Assembleia Nacional que ousasse aflorar tais temas seria de imediato demitido e passaria muito provavelmente à categoria de ostracizado... em Caxias ou Peniche. Com Marcello tudo foi discutido publicamente. O resultado ficou muito aquém das nossas esperanças mas nós, os esperançados, atribuímos esse falhanço aos Ultras chefiados pelo Almirante Américo Thomaz.

 

Eis por que tenho como enorme injustiça que se pretenda meter no mesmo «saco» histórico o Almirante e Marcello Caetano. E, contudo, o Almirante regressou do exílio enquanto Marcello Caetano continua enterrado no Brasil.

 

Agora, uma das mentiras que a propaganda propala é a relativa à guerra do Ultramar pois a verdade histórica é a de que Portugal ganhou as guerras em Angola e em Moçambique e perdeu a da Guiné. E não será por muito repetirem a mentira de que «Portugal perdeu a guerra do Ultramar» que isso passa a ser verdade. É mentira!

 

Lisboa, Abril de 2014

 

 Henrique Salles da Fonseca

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