CHAU MIN – 3
TEMPOS TRAVESSOS
Humanismo chinês… o que é isso?
É sabido que já os chineses andavam vestidos de seda e bebiam chá com aromas diversos quando ainda nós na Europa andávamos mal cobertos com peles de animais mortos à paulada e bebíamos… mais vale não investigar.
Todos conhecemos Confúcio, Mêncio e muitos outros que da lei da morte se foram libertando mas basta sabermos que o taoismo enfatiza o anarquismo defendendo essencialmente a ideia de que não precisamos de nenhuma orientação centralizada para compreendermos como a revolução comunista provocou uma solução de continuidade civilizacional muito maior do que nos poderia passar pela imaginação não avisada. E por causa dessa tradição fundadora foram assassinados alguns milhões de civilizados, taoistas e confucionistas, que desagradavam a Mao Tsé Tung e aos seus guardas vermelhos.
A questão que hoje trago é: qual o conceito que os dirigentes chineses nossos contemporâneos fazem de humanismo quando eles próprios são os sucessores dos sobreviventes das purgas de Mao?
Não vale a pena especularmos sobre as consequências da ruptura provocada por Mao na civilização chinesa, basta constatarmos a realidade actual que transpira cá para fora do «Império do Meio», obra dos «netos da revolução»:

- Multidões de presos políticos submetidos a trabalhos forçados
- Pena de morte por «dá cá aquela palha»
- Inexistência de liberdade de opinião
- Movimentação condicionada
- Inexistência de liberdade de estabelecimento
Conclusão: niilismo humanista e, sim, continuam por lá os tempos travessos.
E em resultado do trabalho escravo - todo o prisional e mais aquele ferrenhamente controlado pelos «sindicatos» governamentais – que produtos vêm cá para fora concorrer com os homólogos produzidos por quem tem direitos humanos?
Humanismo chinês… não há!
Dezembro de 2018
Henrique Salles da Fonseca
(Macau, Dezembro de 2005)
