Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

CASA DO GAIATO

 

 

 

Há cerca de um mês (final de Março) a SIC e outros órgãos de comunicação, em Portugal, escreveram e divulgaram na TV uma matéria “malhando” na Casa do Gaiato, a Obra de Rua, que eu conheço bastante bem e que defenderei sempre que achar oportuno.

 

Burrice do jornalista que fez a matéria porque mal informado, sentadão na sua cadeira de maledicência, irresponsável. Porque o jornalista não se foi informar? A resposta é simples: ou porque não é jornalista ou porque decidiu politizar o impolitizável!

 

É fácil ter uma caneta nas mãos e escrever sobre o que se desconhece, e, pior, ficar impune.

 

Um dos padres desta GRANDE obra, indignado, escreveu no magnífico jornal “O Gaiato”, que eu leio todos os meses com um prazer imenso, o texto abaixo que reproduzo, e vejam algumas fotos do que se passava em Moçambique há 15 anos!!! E muito tem progredido.

 

Pontos nos ii

 

FGA-Padre Acílio

Padre Acílio – Casa do Gaito de Setúbal

 

De vez em quando a comunicação social, por meio dos seus jornalistas, lembra-se de, confusamente, atacar a Casa do Gaiato e isto obriga-me a por os pontos nos ii.

 

As Casas do Gaiato nasceram da situação miserável dos pobres, na alma do Padre Américo e só se devem chamar assim, enquanto tiverem à sua cabeça, um padre pobre, isto é: que não ganhe nada, come à mesa com os rapazes, vista e calce do que lhe dão ou lhe entre­gam para dar aos pobres, vive na Casa do Gaiato com os rapazes e nela trabalha todos os dias e fins-de-semana, sem folgas e muitos anos a fio sem quaisquer férias.

FGA-Casa do Gaiato (Moçambique).jpg

Refeitório para os 160 gaiatos mais os responsáveis – Moçambique

 

Dá a sua vida aos rapazes e aos pobres como qualquer pai zeloso, se entrega aos seus filhos, tantas vezes num silêncio doloroso que só Deus avalia.

 

É um homem pobre, sem carro, sem casa, sem família e sem amigos. É homem dos pobres na sequência de Jesus de Nazaré que não tinha uma pedra para reclinar a cabeça. Não tem reforma, nunca descontou, não tem idade para se jubilar e dá a sua vida até ao des­gaste final.

 

Esta é a situação real dos padres da Casa do Gaiato que por isso se chamam Padres da Rua.

 

As Casas do Gaiato são igual­mente Obras que têm como mães de família. Senhoras Consagradas à vida de Jesus, não ritualmente, mas na realidade, nas vicissitudes diárias dos rapazes com a atenção e o desvelo de uma diligente mãe de família, como os padres da Casa do Gaiato. Sem Sábados nem Domingos e alguns anos sem férias nem retiros numa oferta contínua, heróica e silenciosa a gerações e gerações de rapazes.

 

FGA-Casa do Gaiato (Moçambique)-2.jpg

Estas são parte das camisas acabadas de lavar.

E faltam aqui as calças, cuecas, pijamas, meias e agasalhos!

 

As Casas do Gaiato são institui­ções pobres, sem qualquer apoio do Estado, onde se aproveitam e promovem todos os valores e qua­lidades dos rapazes sem menospre­zar técnicos das diversas áreas da ciência educacional como psicólo­gos, pedopsiquiatras, neurologistas e outros, mas onde os rapazes são encaminhados, a viverem um auto­-governo, como Obra de Rapazes, para Rapazes, pêlos Rapazes.

 

Uma instituição que não goze destas características não pode e não deve ser chamada de Casa do Gaiato. É uma mentira a reclamar para si este nobre nome.

 

Compete a quem de direito repor a verdade e não andar a mentir.

Se, por desgraça, alguma das actuais Casas do Gaiato da Obra do Padre Américo deixar de ser assim, já não é uma Casa do Gaiato, terá de ter outro nome como casa de rapazes, de crianças, de adolescen­tes, de famílias ou qualquer outro, nunca este célebre nome tão português e cristão que pertence à Obra da Rua e a mais ninguém.

 

As Casas do Gaiato, são essen­cialmente instrumentos apostóli­cos ao serviço do Evangelho e não meras casas de assistência, ainda que meritória.

 

FGA-Casa do Gaiato (Moçambique)-3.jpg

Creche. Construída e sustentada pela Casa do Gaiato – Moçambique

 

Chegam onde os Bispos e os Padres não alcançam e fazem-no em Nome do Bispo e da Igreja Católica, por Amor de Deus, dos Rapazes e dos Pobres.

 

Não será insensatez da minha parte fazer este esclarecimento sobre um assunto que os nossos Leitores bem conhecem, mas que os media mais pesados e mais poderosos teimam em pôr em causa.

 

Os jornalistas destas empresas, pagos para escandalizar o povo, com meias verdades, nem de longe sonham a dureza da vida dos Padres das Casas do Gaiato; e então, de forma ambígua, dão notícias, pisando as regras mais elementares da lógica para con­fundir todos e vender o seu peixe que é quase sempre demolidor e raras vezes construtivo.

 

Já estou habituado, mas à essa pobre gente também quero dizer, com as devidas distâncias, como Paulo na 2a Carta aos Coríntios. No princípio e para levantar esta Casa, passei fome e frio.

 

Nalguns Invernos enrolava-me num cober­tor para vencer a noite e conseguir o sono. Felizmente esta carência está hoje largamente ultrapassada e distribuímos muita roupa aos pobres.

Comprei, uma vez, um cinto para segurar as calças. Fiz cerca de um milhão de quilómetros numa motorizada, em duas lambretas e duas vespas e em motos emprestadas, de Inverno e de Verão à geada e à chuva.

 

Com a camioneta da Casa, carreguei, da Secil, toda a pedra oferecida para construir as nossas oficinas e as nossas escolas, que agora, também por virtude das mentiras e calúnias, estão fecha­das.

 

Enchi com os rapazes, à pá, milhares e milhares de sacos de cimento, no meio de muito pó dele, de tal modo que os encarre­gados da Secil, com pena de nós, ofereciam máscaras para tapar­mos a boca e o nariz.

 

Várias vezes caí nos motoci­clos, fazendo em certa ocasião um buraco numa perna e per­dendo os sentidos. Noutra altura a lambreta avariou em Lagos e não tendo dinheiro para reparação, fui pedi-lo ao pároco que me deu cama, mesa e pagou a dívida.

 

Ceifei arroz à mão, muitos anos, com os rapazes e debulhei-o até altas horas da noite para com o dinheiro dele pagar as dívidas feitas ao longo do ano.

 

Agarrei no tractor, lavrei, gra­dei, semeei, sachei e colhi vários alimentos ao longo dos anos.

 

FGA-Casa do Gaiato (Moçambique)-4.jpg

Casas para viúvas que tudo perderam com uma catastrófica cheia

 

Se saí para o estrangeiro foi para o meio dos pobres de Angola, São Tomé e Moçambique, e, por lá, sempre trabalhei para os ajudar e não ser pesado a ninguém.

 

Por duas vezes, tive viagens e hotéis pagos, oferecidos para ir a Roma e à Terra Santa, e nunca tive tempo.

 

Não me devia gloriar, antes estar calado, mas essas pessoas sequiosas de atacar quem faz o bem, precisam de saber que uma Casa do Gaiato, é uma realidade séria com que não se deve brincar e muito necessária no tempo em que foi criada — e ainda hoje, com tanta miséria escondida e tão desoladora indiferença.

 

 

Se é preciso gloriar-me da minha fraqueja, gloriar-me-ei, mas Deus, que conhece os cora­ções, sabe que não minto.

 

A Ele peço perdão desta amos­tra, o resto é com Ele!

 

A vida dos Padres das Casas do Gaiato da Obra da Rua é toda ela, semelhante e nalguns muito mais heróica que a minha.

 

Quem achar de interesse, por favor, divulgue.

 

E o jornalista que faça mais e melhor! Ou então cale a boca.

 

29/04/2016

 

FGA-2OUT15.jpg

Francisco Gomes de Amorim

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D