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A bem da Nação

BREXIT?

brexit.jpg

  

 

Pergunta - A Grã Bretanha vai sair da UE?

 

Resposta – Isso é o que havemos de ver.

 

Pergunta - Como assim? Então o referendo não decidiu pela saída?

 

Resposta – O referendo não é deliberativo; é apenas indicativo.

 

Pergunta – Então de quem é a decisão?

 

Resposta – Do Parlamento e, mais concretamente, da Câmara dos Comuns.

 

Pergunta – E o Parlamento não vai corresponder à indicação dada pelo referendo?

 

Resposta – Não faço a mais pequena ideia. O que se sabe é que há uma maioria parlamentar a favor do «stay». Como vai ser? Respeitam a maioria referendada ou seguem as suas próprias convicções com base no argumento de que o «stay» faz parte do seu próprio mandato como membros do Parlamento? Podem sempre argumentar que o «stay» estava implícito na sua candidatura, na sua eleição e que, portanto, lhes cumpre seguir essa via. Mas eles são britânicos e nós nem sempre somos capazes de lhes adivinhar os pensamentos.

 

Pergunta – Mas e agora o que se segue?

 

Resposta – Para sair, a Grã Bretanha terá que invocar o Artº 50º do Tratado de Lisboa mas não há um prazo para o fazer. O Governo britânico pode mesmo não ter pressa e ir deixando essa invocação lá para as bandas do além…

 

Pergunta – E quem vai suceder a Cameron?

 

Resposta – Isso é coisa que se vai saber em breve. Mas já há muita dança com voltas e voltinhas com uns a dizerem que avançam e outros a dizerem que recuam…

 

Pergunta – E a rainha, que diz?

 

Resposta – Que sim.

 

Pergunta – Que sim a quê?

 

Resposta – Ao que chegar ao fim da dança. À rainha não compete dizer nada que não seja «sim». Nem é sequer ela a redigir os discursos da Corôa. Isso é da competência do Primeiro Ministro e ela apenas os lê.

 

Pergunta – Então para que serve a rainha?

 

Resposta – Não digo!

 

Pergunta – Não diz?

 

Resposta – Não!

 

Pergunta – Posso saber porquê?

 

Resposta – Porque tenho amigos monárquicos e não me apetece entrar em discórdia com eles.

 

Pergunta – Posso depreender que acha que a rainha não serve para nada?

 

Resposta – A depreensão é sua, eu não fiz tal afirmação. Mas não me parece que essa seja uma matéria importante para a questão de que estamos a tratar. Deixemos Sua Majestade tranquila.

 

Pergunta – E a Escócia e a Irlanda do Norte que votaram inequivocamente pelo «stay»? Acha que se despegam da Inglaterra e de Gales?

 

Resposta – Sim, vejo essa contingência como plausível e atribuo-lhe uma relevância enorme pois o petróleo do Mar do Norte é escocês. Ou seja, vão-se os anéis, os dedos e tudo… Os ingleses correm o risco de ficarem pobres como já não são há muitos séculos.

 

Pergunta – E as Universidades não produzem massa cinzenta suficiente para a Inglaterra continuar a ser importante?

 

Resposta – É claro que sim. Mas quem vai financiar essas Universidades? Se houver uma drástica redução das receitas públicas inglesas relativamente às homólogas britânicas…

 

Pergunta – Acha que a mossa vai ser grande?

 

Resposta – Acho que a mossa pode ser tão grande que a viabilidade do Estado Restante possa ser questionável.

 

Pergunta – Qual o modelo de desenvolvimento necessário a uma Inglaterra abandonada?

 

Resposta – Aí está a grande vantagem que eles têm por poderem contar com muita massa cinzenta. Isso permitir-lhes-á pensarem e decidirem sem ficarem à espera que outros pensem por eles. Só espero que este referendo lhes tenha servido de lição e que os demagogos sejam postos nos respectivos lugares.

 

Pergunta – E se o Governo britânico não invocar o Artº 50º do Tratado de Lisboa em tempo útil?

 

https://www.facebook.com/TheIndependentOnline/videos/10153765149496636/

 

Resposta – Fica o BREXIT sem efeitos práticos mas fica sobretudo o susto por que a UE passou e a necessidade imperiosa de se auto-reformular.

A UE não pode continuar a ser mais comandada por não-eleitos e por burocratas. É fundamental fazer depender os decisores dos eleitores numa escala muito mais evidente do que acontece actualmente. Se isso não acontecer, a UE virá a ser considerada apenas uma pseudo-democracia. É claro que não espero (nem desejo) que se copie o estilo suíço com referendos por dá cá aquela palha mas não podemos esquecer que os eleitores europeus respondem quase sempre negativamente quando são perguntados por isto ou por aquilo para se vingarem dos omnipotentes sábios que tudo decidem sem lhes passar cartão. Mais: a globalização dentro da UE já levou tanta gente à desgraça que o eleitor acaba por se voltar contra o «mercado único» e querer voltar à sua «quintarola privada». É para mim evidente que os europeístas tomaram o freio nos dentes e terão agora que moderar o passo. Se o não fizerem, arriscam tudo. A UE corre o perigo de desmoronamento se não se humanizar, se continuar a levar tudo pela frente como tem acontecido a torto e a direito.

O europeus já deram provas democráticas mais do que suficientes de que não querem continuar nas mãos de burocratas autocratas. Este referendo que determinou o sentido do BREXIT, foi apenas a mais recente dessas provas.

E só para acabar, no meio deste sarilho todo, está previsto que a UE seja presidida no primeiro semestre de 2017 pela… Grã Bretanha.

Vou-me fartar de rir sem achar grande piada ao ensarilhado de tudo isto. Será então a Grã Bretanha a presidir às negociações do seu próprio afastamento da UE? Será, pelo menos, curioso para não dizer kafkiano ou simplesmente absurdo. Apenas mais um absurdo.

 

Pergunta – E Portugal? Acha que deve sair?

 

Resposta – Fui muito céptico aquando do Tratado de Maastricht e todos sabemos que, tanto por opção interna como da UE, deixámos cair a produção da maior parte dos bens transaccionáveis com o argumento balofo de que não éramos competitivos. E nos serviços salvou-se o turismo apenas. É claro que se não éramos competitivos, tínhamos que pugnar pela competitividade do tecido empresarial em vez de lhe decretarmos eutanásias selectivas. O que foi feito a troco das ajudas estruturais, não foi suficiente para a cabal salvaguarda dos interesses de quem tinha que responder por uma crescente dívida externa. Mas, agora, creio que, uma vez feito o mal, seria muito pior a saída do que já foi a entrada. Temos que nos viabilizar, não temos alternativa ao regresso à produção de bens e serviços transaccionáveis, em especial nos bens alimentares. Mas para isso é necessário garantirmos a transparência dos mercados e promovermos a racionalidade no método de formação dos preços.

Só que eu ando há imenso tempo a pugnar por isto e os Serviços do Ministério da Agricultura ou fazem de conta que eu nada digo ou, como no sector das pescas, houve quem dissesse que como está é que é bom. Sim, é bom para a Procura porque para a Oferta é terrível e enquanto esta situação perdurar, nunca teremos produção e a importação será uma fatalidade. Quem comanda a política alimentar em Portugal? A Procura. Por outras palavras, o Comércio. E está bem de ver que os socialistas insistem no erro de que o consumo é motor do desenvolvimento num país de produção insuficiente e nós, os não socialistas, sabemos que a produção só é viável com preços logicamente formados em mercados transparentes. Também nunca consegui fazer os responsáveis privados pela agricultura perceberem isto.

 

Pergunta – Quem são os responsáveis privados da agricultura?

 

Resposta – A CAP. Portanto, em síntese, os grandes problemas do nosso desenvolvimento resolvem-se cá dentro mas só temos a beneficiar se pudermos contar com mercados bem maiores do que o doméstico. Ou seja, façamos o trabalho de casa mas não abandonemos a UE.

 

Pergunta – E o que dizem os Partidos da «coligação espúria»?

 

Resposta – Os socialistas dizem que o consumo é que é bom; o «tio» Jerónimo que diga o que quiser pois mais não fará do que se enganar a si próprio e a quem nele acredite; quanto à «Kika», ela que vá aprender alguma coisita de economia e de história e conversamos depois… Teatro já tínhamos que bastasse, não precisamos de mais.

 

Julho de 2016

 

Henrique na piscina das mulheres em Anuradhapura,

Henrique Salles da Fonseca

(em Polonaruva, Sri Lanka, ex-Império Britânico, NOV15)

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