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A bem da Nação

BOUQUINER (1)

 

 

1 – Qualquer escolha implica sempre uma renúncia. Que pode ser, ou não, temporária. No caso é. Esclarecendo. Que título daria agora a uma possível pequena série de crónicas, ou minicrónicas que, com tempo, quero “escrevinhar”? Publicar é outra coisa. Já não depende da minha vontade, mas depende da boa vontade e da paciência com que um amigo me atura. Mas pronto, escolhi “BOUQUINER”. Mas na manga tinha mais duas. Uma era “TRESVALIAR” e outra “O MEU MUNDO”. Por partes. Venha a explicação e a fundamentação.

 

2 - “O MEU MUNDO” foi sugerido pelo DDB (dono do blogue) e AMIGO Henrique, quando lhe dei “notícia” sobre determinadas questões do nosso passado ultramarino. Mas guardo para trabalho, que gostaria de fazer sobre A QUESTÃO COLONIAL, sobre a qual me debruço cada vez mais. “TRESVALIAR” é do Dr. José Pacheco Pereira, que no dicionário tem determinados significados, mas em que JPP atribui e bem outra significação, como seja “navegar sobre as coisas ou palavras” (Público,13.06.2015). Pronto. Estraguei já tudo. Falei em JPP e tenho a certeza que já criei por aí alguma “urticária”. Mas lá irei por partes. E era esta que escolheria, se não viesse à memória, e ao papel, o Professor Doutor José-Augusto França com “BOUQUINER”. Bouquiner, como ele refere, porque “há uma palavra francesa, muito bonita: bouquiner, ler uma coisa aqui e ali” (Expresso, Revista, 01.02.2014). E “prontos”. Foi por isso que, desta vez, aquilo que escrevo vai assim titulado. Mas que guardo os outros dois títulos, ninguém tenha dúvidas.

 

3 – E escrevo, hoje, porque se acumulam textos que considero de uma FRESCURA e de um sentido de CIDADANIA ACTIVA que já vão rareando. “E tudo são recordações” de BB, “Lusitânia Armilar” de HSF, “Quod Sensus” de BB, “Um Papa sem filtro” de ACDJ e de novo” Saco Cheio” de BB, e fazendo sobre os mesmos o tal BOUQUINER. É evidente que poderia mencionar outros, mas estes tocaram-me mais, e de forma geral vou debruçar-me do muito que ali está, mas sem comentar os mesmos. Até porque num caso ou noutro já o fiz.

 

4 – Lusitânia Armilar. O nosso passado global. Que por vezes parece que andamos envergonhados de o referir. E que merece atenção, em especial para os mais novos. Porque ao contrário do que se diz, quem nos vai continuar, gosta mesmo de saber o que fomos e o que somos. É evidente que nem tudo foi feito com lisura, mas hoje também não se faz, que o diga o Iraque e o actual estado em que está. Isto, porque o Dr. Nuno Rogeiro escreve “em 2009 passou, quase envergonhado, o meio milénio da batalha de Diu em que uma pequena, mas moderna e bem treinada armada portuguesa derrotou uma muito maior força otomana, árabe, indiana, veneziana e croata” (Sábado,18.06.2015). Certo. Mas julgo, que talvez, tal feito, não foi comemorado mais efusivamente, porque um dos nossos grandes historiadores António Borges Coelho refere que “isso faz-se com uma coragem fantástica, com domínio da navegação e dos meios marítimos, mas simultaneamente com uma violência brutal. O tal povo pacífico de brandos costumes é irreal. A batalha de Diu foi terrível, não só a batalha em si, mas o que nós fizemos em Diu” (António Borges Coelho, Expresso – ATUAL – 08.03.2014). Pois. E por isso não comemoramos.

 

5 – E tudo são recordações. Que às vezes nos entristecem. Até por colegas com os quais convivemos e de repente parece que nem os conhecemos. Embora, por vezes, existam razões que desconhecemos. Como alguns “capitães” que a “24” mandavam atirar ao “turra” e a “25” fora com o “colono”. Assim mesmo friamente. E, infelizmente, nalguns desses “capitães” estavam oficiais de alta patente, que de um dia para o outro quiseram certificado de democratas. Ou será que alguns ARQUIVOS foram parar a mãos erradas? Mas veja-se, que hoje, é a mesma coisa. Muitos que disseram “nem mais um soldado para África” e que ajudaram ao estado em que o País se encontra, estão hoje bem instalados no “centrão” e a dar-nos grandes lições de moral e de patriotismo. E nós quedamo-nos na nossa zona de conforto.

 

6 – Saco Cheio. José Pacheco Pereira. Não o conheço. Mas considero-o um dos grandes intelectuais portugueses. E um dos nossos mais brilhantes investigadores universitários. Concorde-se ou não com ele. Mas também dizer, que muitas das “bicadas” que ele dá em alguns políticos da sua área, têm um passado. Porque “o doutor Pacheco Pereira tem sido, ao longo dos últimos anos, um elemento que não vê, nunca em qualquer circunstância, qualquer benefício na acção que o PSD possa desenvolver e, portanto, é um adversário, assume-se como um adversário do PSD”. Quem escreveu isto? Foi o Dr. Pedro Passos Coelho (Expresso, Revista Única, 28.05.2011). E assim sendo, arranjou mesmo um adversário. Mas não o PSD. E o Dr. Pedro Passos Coelho sabe que tem gente que não gostou de algumas das suas atitudes. Lembro o tenente-coronel João J. Brandão Ferreira, brilhante investigador de questões militares, autor de “Em nome da Pátria”, que escreve: Na altura, o jotinha-mor das “forças laranja” dava pelo nome de Pedro Passos Coelho, o qual não descansou enquanto não acabou com o SMO (Serviço Militar Obrigatório) – um erro estúpido, escusado e caro” (Público, 23.01.2014). Pois. E caro. Como se está a ver agora. Claro que depois com a idade vamo-nos modificando. Mas lá que houve estragos, também é verdade.

 

7 – Quod Sensus e Um Papa sem Filtro. O que dizer? Em primeiro que há católicos que, por vezes, parecem pouco de acordo com os ensinamentos que dizem defender. E mesmo assim, merecem a nossa estima. Mas confundir a História de um País segundo a bitola dos últimos 40 anos, parece-me curto. Para quem tem mais de 800 anos. Quanto a Francisco I está a olhar e de que maneira para o seu povo que se espalha pelo Mundo. Mas também aqui, há quem não goste. Comentários. Peço-os emprestados. A Vittorio Messori, teólogo próximo do Opus Dei, em que “é melhor um putanheiro que faz boas leis, que um bom católico que promulga normas contrárias à Igreja” (VISÃO, 27.01.2011). Assino por baixo. E já agora ao

JAF-Ercole Consalvi, Cardeal.jpgCardeal Ercole Consalvi, secretário de Estado de PIO VII, quando Napoleão ameaçou destruir a Igreja ao dizer: “Não o conseguirá, majestade. Nós próprios nunca a conseguimos destruir” (Público,02.06.2012).E sobre isto, nada mais. Está tudo dito.

 

8 – E sobre o estado do Mundo. Aqui recorro a

JAF-Jacques Attali.pngJacques Attali, economista, conselheiro do Presidente François Mitterrand, e fundador do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), quando defende que “A Terceira Guerra Mundial já começou”. Attali em 2014, em Milão, no World Business Forum, começa por referir que “as surpresas de hoje são apenas consequências da falta de acção há duas ou três décadas”. Sobre as Migrações refere que “nem todos serão migrantes do sul para norte. Um terço irá no sentido contrário. A humanidade está on the road” e quanto a uma possível perda de influência da actual potência hegemónica então “os EUA não serão substituídos pela China e um Mundo sem líder será um Mundo perigoso”. Sobre as finanças mundiais o economista pronuncia-se sobre a “força crescente dos Mercados Financeiros entidades sem governo e com frágeis fronteiras entre o que é legal e criminal”. E termina: Com o crescimento do terrorismo e dos fundamentalismos por todo o Mundo, pode-se dizer que a terceira guerra mundial já começou (Expresso,08.11.2014). E só aqui estou em desacordo com Jacques Attali. A Terceira Guerra Mundial foi ganha pelo Ocidente, com a Queda do Muro de Berlim. Ocidente que ultimamente só tem feito ASNEIRAS. Mas estou de acordo com o Subcomandante Marcos do Exército Zapatista do Estado de Chiapas no México, quando assume que está em marcha a Quarta Guerra Mundial, de que não se sabe qual será o desfecho, mas em que começam a aparecer sinais muito preocupantes. E que nos deixam preocupados com as actuais lideranças ocidentais.

 

9 – E deixo para um possível BOUQUINER (2) algumas “interrogações” mais caseiras e ligadas ao nosso passado, desde Mr. Ken Flower chefe da secreta de Ian Smith, passando por possíveis negociações tardias de Marcello Caetano com os nossos adversários de então, o leste europeu que equipava os Movimentos de Libertação, mas que não tinha problemas em dar-nos também uma “ajudinha” desde que tudo fosse feito com a maior discrição. E lembrei-me agora. Marcello Caetano lá fazia as suas “Conversas em Família” na televisão. Certo. O Presidente Roosevelt iniciava a partir de 12.03.1933 as suas famosas “Conversas à Lareira” na rádio. Coincidências. Mas vamos aguardar o que se arranja para próxima vez. O que não é fácil. Isto A Bem da Nação. Julgo que hoje apenas nadei em águas límpidas, e apenas à superfície. Prometo (?) que para a próxima andarei por águas “turvas” e “mergulhando” fundo. E mais uma vez a cumprimentar o Henrique por comemoração aniversariante.

 

José Augusto Fonseca José Augusto Fonseca

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