AS RAÍZES DO MAL SOCIAL
Porquê de tanta violência? Porquê de tanto fanatismo, pergunto-me quando vejo jovens e até crianças de armas em punho, aliciadas por gente que se diz religiosa, mas que no fundo quer é dominar o Homem através do medo e do terror à sua presença. O que faz essa juventude transviada se bandear para o lado escuro da alma humana?
Em geral, o que se percebe ao se ouvir os noticiários sobre o terrorismo que atinge actualmente Europa e África, é que quem executa esses actos bárbaros de violência são jovens potencialmente agressivos emergidos de ambiente ou história conflituantes, onde a sociedade de alguma maneira lhes bloqueia oportunidades ou desempenhos.
Procuramos entender; será que toda essa insatisfação pessoal/social encontra na violência das acções terroristas a válvula de escape, visível e contundente, que todos os dias nos jogam na cara? Será que essas criaturas encontram nas drogas ou nas promessas religiosas a recompensa de um mundo quimérico, após a morte, de sensações compensatórias que as impedem de se comunicar de uma maneira real e normal com o mundo que as cercam? Ou será que são pessoas portadoras de um desequilíbrio da função psíquica entre o ego-superego-id, onde o instinto não encontra repressão e o comportamento moral é tolhido ou simplesmente ignorado? Ou ainda será que existe nessas gentes uma conjugação de factores que, mentalmente trabalhados, se tornam veículo de manobras intimidatórias de poder de mentes doentias? Não é simples responder a tanta loucura que destrói e mata sem sentimento culpa.
Combater o terrorismo é uma luta inglória, pois mesmo que se acabe com este grupo que agora nos assombra, à força de armas e de retaliação responsiva, outro virá como outros no passado.
Combater o mal não é apenas fazer repressão à violência, com violência, é um acto diário de paciência e tolerância, diálogo, acordo e inclusão social.
Combater o mal social é acima de tudo respeitar o Homem nas suas múltiplas diferenças.


