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A bem da Nação

AS DUAS FACES DA CRISE – 1

 

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Introdução

 

O que é uma crise e porque tem duas faces e não digo fases porque são mais do que o tempo que duraram pois são aquilo que nós ficámos a sentir como característico da nossa vida durante todo o período abrangido por ela.

 

Definição de crise: é uma palavra com significados diversos conforme o assunto a que se refere mas em geral trata-se de haver uma mudança da estabilidade de uma situação para outra eventualmente pior. Mas a palavra crise também está ligada ao significado de acção de criticar e discernir que é característica destes acontecimentos de mudança… e que criam a oportunidade de mudar para melhor ou não conforme as circunstâncias e a vontade dos protagonistas.

 

E portanto, tem duas faces: a primeira é a data em que ela é declarada em conjunto com os factos que a originaram e a segunda é caracterizada pelas oportunidades e pelos riscos das soluções possíveis. Assim, a primeira é analítica e histórica e a segunda deve ser um plano de acção para o futuro próximo até porque há sempre nestes momentos de crise bastante urgência em sair dela.

 

Mas para que a segunda face tenha condições propícias ao sucesso, que será aumentar principalmente a competitividade nacional e portanto o nível de vida da população e a independência do País, é forçoso e indispensável que a análise dos acontecimentos todos que ocorreram seja feita sem preconceitos e com profundidade e justiça.

 

Uma breve palavra sobre os preconceitos que são com frequência a causa dos maiores desastres na nossa história até porque muitas vezes estão ligados a fanatismo…Com efeito um preconceito é uma convicção sem fundamentação racional e mais do domínio do emocional com enorme influência no comportamento particularmente na tomada de decisões.

 

Por vezes alguns preconceitos aparecem ligados à luta pelo poder e à ganância como aconteceu com o preconceito anti semita, mas de facto o mais importante na prática é serem um obstáculo irredutível de uma análise correta das bases da decisão que se vai tomar. Como exemplo temos o preconceito de considerar as antigas colónias como províncias, embora nunca tivessem sido tratadas como tal, o que provocou as guerras coloniais que tantos prejuízos causaram a todos os intervenientes até hoje sentidos.

 

Quando falamos de crises e olhamos para a nossa história, nossa da humanidade e não apenas a portuguesa, ficamos com a noção que de facto ela é uma sucessão de crises umas vezes mais profundas outras vezes menos, umas vezes com final feliz outras não.

 

No caso particular português também foi assim mas houve uma com final feliz que merece ser recordada exactamente por essa razão que foi a de 1383-85 que acabou por levar ao trono D. João I por influência da burguesia do Porto, de Lisboa e de Lagos e permitiu a realização dos descobrimentos marítimos pela dinastia de Avis que ao contrário do que ensinam os manuais de história acabou quando D. João II morreu. O rei D. Manuel I já foi de facto um Bragança.

 

Assim conseguiu-se na segunda face desta crise evitar a perda da independência e da oportunidade de aproveitar toda a evolução realizada na primeira dinastia que não só consolidou o território mas também a população que era muito heterogénea e tinha ganho características muito influenciadas pela actividade marinheira derivada do grande desenvolvimento da nossa Marinha que permitiu em 1415 a utilização de cerca de 200 embarcações de maior porte durante mais de um ano na conquista de Ceuta, sem que houvesse notícia de decréscimo da actividade económica do País.

 

Em contrapartida se em vez de D. João Mestre de Avis tivesse ficado Rei D. João de Castela a respectiva elite dominante não seria a que tivemos mas a da nobreza ligada a Castela sem características marinheiras e Portugal passaria a uma região da Espanha.

 

E como já tive ocasião de afirmar várias vezes, repito: para Portugal o Mar sem Marinha não é mais do que paisagem.

 

(continua)

 

XXII Colóquio dos Olivais

 

Novembro 2016

Eng. J.C. Gonçalves Viana

José Carlos Gonçalves Viana

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