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A bem da Nação

AS COISAS QUE SE DIZEM...

 

 

Diz-se por aí que «no tempo da outra Senhora» o Serviço Militar era obrigatório. Mas essa é claramente mais uma mentira que por aí vagueia. Não! O Serviço Militar era voluntário.

 

Assim, aos 18 anos «dei o nome para a tropa», o que se consubstanciou num acto voluntário pois bastaria não o fazer para passar à clandestinidade como refractário. Seguiu-se um período de silêncio em que era suposto nada acontecer até que alcançasse a maioridade (que naquela época era aos 21 anos de idade) e durante o qual poderia ter-me posto a mexer para o estrangeiro, o que voluntariamente não fiz. Na Universidade, a Lei concedia-me adiamentos de incorporação enquanto eu tivesse aproveitamento e isso traduziu-se em cinco pedidos de adiamento que voluntariamente fiz para concluir o curso. Uma vez licenciado, dirigi-me voluntariamente ao meu Distrito de Recrutamento Militar, o de Lisboa, para informar que concluíra o curso e que, portanto, já não tinha mais direito a adiamentos mas um Sargento que estava a trás do «guichet» perguntou-me se eu não tinha nada de mais útil a fazer do que ir naquele ano para a tropa. Balbuciei qualquer coisa que ele não deve ter ouvido e logo me disse que voltasse ali no ano seguinte pois naquele tinham economistas a mais. Mas logo de seguida arrepiou a conversa dizendo: - Mas espere aí que nem cá volta! Vai directamente apresentar-se em Mafra numa das quatro incorporações do ano que vem. Em qual delas quer entrar? Posta a “iguaria” deste modo à minha disposição, escolhi a da Primavera no pressuposto de que em Mafra (como em qualquer outro local) o clima nessa estação seria mais ameno. Tive, pois, mais um ano durante o qual me poderia ter pisgado. Mas foi voluntariamente que fiquei. E neste ponto do relato já perdi a conta aos actos que voluntariamente pratiquei antes de «assentar praça». Passado o ano sabático que magnanimamente me fora concedido por um Sargento que estava a trás dum «guichet», foi voluntariamente que em Abril de 1970 me apresentei à porta da Escola Prática de Infantaria, no Convento de Mafra. Eram 13,45 horas daquele dia em que voluntariamente dei um passo em frente, transpus a porta monumental que estava à minha frente e passei a fazer parte do nosso Exército, o português.

 

E se depois desta história alguém ainda tiver dúvidas de que o Serviço Militar era voluntário nesses idos de antanho, diga-o agora ou cale-se para sempre!

 

Fevereiro de 2014

 

 Henrique Salles da Fonseca

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