ANSIEDADE. MEDOS E FOBIAS
Autor: Edvard Munch
Fonte: Wikipédia livre
Mal que atinge cada vez mais as pessoas, pelos apelos da sociedade moderna, a ansiedade excessiva apresenta aspectos psíquicos e manifestações físicas que prejudicam a saúde e a qualidade de vida. Quando essas manifestações se tornam respostas exageradas, recorrentes, a medos imaginários, irracionais, sem motivação real a situações ou objectos comuns chamamos fobias. Pessoas neuróticas em geral são as mais acometidas. Submetidas a alguma situação ou objecto especificamente estressante as pessoa fóbicas podem apresentar choro compulsivo, tremores, sudorese, taquicardia, respiração ofegante, e até ataques de pânico, com descontrole total, mental e físico.
Independe de factores sociais ou ambientais a fobia é desencadeada por um temor exagerado ou infundado, mesmo diante de uma explicação convincente, diferentemente do medo que representa uma resposta de preservação física diante de um real perigo. Temos medo de ao atravessar uma rodovia sermos atropelados, de andar à noite em ruas desertas e sermos assaltados,... São situações de verdadeiro risco que deixam nosso organismo em alerta, com medo. Já a fobia aparece quando o indivíduo se vê à frente de uma situação para a maioria corriqueira, mas para o fóbico cruciante, temerosa. Pessoas normais têm medo, não fobia. O medo há como lidar com ele, evitando o perigo, solucionando problemas; a fobia precisa de tratamento.
Sigmund Freud, fundador da psicanálise, dizia que a fobia tinha origem em algum episódio traumático ocorrido na infância e que deixou marcas no subconsciente. A pessoa não sabe o porquê do medo, só sabe que ele aparece quando vê algo ou passa por alguma situação específica. A coisa de que se tem medo seria o símbolo de outro medo inconsciente. A psicanálise tenta desvendar o mistério aplicando testes e recorrendo a métodos de regressão psicanalítica.
As fobias podem levar a doenças físicas como hipertensão e a ataques de pânico com limitação de expectativa de qualidade de vida. Na fobia social o indivíduo evita sair de casa, não quer ser observado ou criticado, sente-se mal com a avaliação que possam fazer dele, tem medo de ser depreciado ou não corresponder ao que esperam de sua pessoa. São as fobias de quem tem pavor em falar, escrever ou assinar documentos e cheques em público, de dar aula, ou de se encontrar no meio de um grupo de gente. É o medo exagerado de ser confrontado, ou ser humilhado num ambiente social. Esse tipo de fobia, frequente em pessoas susceptíveis com baixa auto-estima, nas tímidas com dificuldade em se sociabilizar, e em migrantes, pode prejudicar as relações interpessoais e até profissionais. Esses indivíduos tendem à depressão ou a se anularem socialmente, ou ainda a recorrerem a drogas, como o álcool. Com certa frequência foram crianças submetidas a algum tipo de bullying e que carregaram essa marca para a vida adulta. Detectada a doença, quanto mais cedo se começa com exercícios de psicoterapia de apoio, e até, se necessário, drogas antidepressivas ou ansiolíticas, melhor será a resposta ao tratamento. A escola ajuda muito quando observa a criança e avisa os responsáveis ao perceber o problema.
Agorafobia trata-se de um transtorno psíquico quando a pessoa tem medo de ter medo. É, em extremo, a sensação de que vai morrer ou ficar louca aquele momento (ataque de pânico). É uma distorção cognitiva, em que se supervaloriza uma situação de risco. É o medo de não ter recurso, de não ter ajuda, de não ter saída. O indivíduo não se importa em ser criticado ou avaliado pelas outras pessoas, só o medo de não ter como escapar de uma circunstância difícil o perturba. Ficar em casa ou em lugar seguro, rodeado por quem possa ajudá-lo é o que deseja. Isso limita-lhe as vivências. São pessoas com medo de certos animais, de atravessar túneis, subir a locais altos, entrar em elevadores, ficar em lugares fechados ou desconhecidos, de viajar de navio ou avião. Esses fóbicos sofrem por antecipação, por problemas imaginários que raramente se tornam reais. Em comum foram crianças que tiveram pais super protectores, preocupados demasiadamente em proteger os filhos dos riscos e perigos da vida quotidiana. Nestes casos o melhor seria tentar dessensibilizá-los através de técnicas de exposição gradativa ao objecto ou situação fóbica, e nos quadros agudos com técnicas de relaxamento onde o paciente usa a imaginação, a respiração e ansiolíticos. Treinar com ajuda do terapeuta a enfrentar o que lhe causa a fobia, várias vezes, até controlar o medo ou diminuir o grau de ansiedade a um limite razoável, ou cognitivamente anular os pensamentos instintivos, confrontando-os com a realidade, seria uma forma de tratamento em longo prazo.
Aprender a hierarquizar ansiedades e medos é definir fobias. Combatê-las é uma questão de paciência e persistência para toda a vida.
Uberaba, 06/11/2014
Maria Eduarda Fagundes


