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A bem da Nação

ANDA O MALIGNO À SOLTA – 6

Jean-Francois Revel.jpg

 

Foi o académico francês Jean François Revel (1924-2006) que em 1976 glosou o tema da tentação totalitária fazendo-nos recordar, entre outros temas, que todo o político gosta muito mais de mandar sem oposição do que ter que aturar uns quantos «empatas» que só fazem é tolher-lhe a vontade e os feitos. A questão da fiscalização da governação pela oposição democrática é matéria que incomoda todos, por mais democratas que se intitulem e mesmo que neguem a pés juntos tal incómodo.

 

É muito ténue a fronteira entre a democracia musculada e o totalitarismo e todos estamos recordados do impacto que a teorização democrata teve no combate efectivo aos totalitarismos nos países vergados pelo comunismo. Sim, foi grão a grão que o muro de Berlim foi cavando a sua própria queda – com uma «ajudinha» do lado de cá pois íamos crescendo e eles falindo.

 

Julgávamos que o totalitarismo morrera mas esquecemo-nos de que a tentação totalitária, sub-repticiamente, persiste. E, donde menos se deveria esperar depois da «vacina lestiana», chega-nos pela mão esquerda sob pretextos tão variados como a necessidade de combate a um putativo desmembramento nacional versus a necessária unidade nacional, como a «vontade popular» de combate aos «abusos capitalistas» em defesa dos explorados, como a introdução de reformas radicais numa sociedade conservadora e avessa a mudanças «fundamentais».

 

Assim surgem os Partidos únicos nos Estados de constituição recente (por exemplo, Angola, Moçambique, etc. que assentaram praça sob o jugo soviético), as políticas autoritárias (por exemplo, a Venezuela e demais países sul-americanos em confronto mais ou menos aberto com os EUA), a propaganda de base doutrinária se não mesmo religiosa (por exemplo, a Turquia que, entretanto, apesar de membro da NATO, anda de namoro com o novo czar de todas as Rússias).

 

Tudo pretextos para se justificarem as ditaduras quando já julgávamos que a humanidade delas se tinha libertado.

 

Inocentes, fomos apenas wishful thinkers, uns tontos.

 

A diferença está em que a democracia, cúmulo de virtudes dos direitos humanos, tem que ser criada todos os dias e sem limite temporal enquanto as ditaduras, todas malignas sejam elas de que banda forem, são criadas da noite para o dia e apanham os inocentes desprevenidos.

 

Então, se no caso venezuelano a boçalidade do cenário de desespero humano e falência económica aponta para um final mais ou menos previsível e não muito longínquo no tempo, no caso turco – país de fronteira civilizacional – a coisa «pia muito mais fininho».

 

E é precisamente esta finura – mais do que o facto de eu conhecer a Turquia melhor do que a maior parte dos turcos – que me preocupa e me leva a orar às forças do bem que travem as suas opostas.

 

A ver…

 

(continua)

 

Janeiro de 2019

Amazónia-ABR16.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(algures na Amazónia, ABR16)

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