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A bem da Nação

ANDA O MALIGNO À SOLTA – 4

 

Recapitulando, os temas que mais chocalham o meu equilíbrio são

  • a ascensão da China,
  • a invasão muçulmana da Europa e o correspondente «revivalismo» sunita,
  • a tensão totalitária na Turquia e na Venezuela,
  • o bitcoin e o narcodólar

 

* * *

 

A China tem crescido porque o Ocidente assim o tem determinado.

 

Xangai.jpg

 

Na ânsia dos custos baixos, as empresas americanas (foi com os americanos que tudo praticamente começou depois de Nixon ter lá ido encontrar-se com Chu En Lai) pensaram – e conseguiram – inundar os mercados mundiais com produtos baratos. Se a deslocalização empresarial levava Detroit e outros centros industriais americanos à falência, isso era questão que não lhes dizia respeito, os políticos que pensassem numa solução. Elas, empresas deslocadas, riam-se dos sindicatos que assim se especializavam no desemprego absoluto.

 

Comércio livre, sim, bem como livre circulação de capitais mas quanto à livre circulação da mão de obra é que, pelo contrário, nem à mão de Deus Pai: sindicalistas americanos na América; «sindicalistas» chineses na China. E nada de misturas nem trocas de poiso. E os sindicatos concordam com isso pois que, entretanto, se transformaram em forças radicalmente conservadoras e não querem a concorrência barata.

 

A China propriamente dita ia invadindo o resto do mundo com toda a espécie de quinquilharia vendida nas prolíficas «lojas dos chineses».

 

Mas a China (a verdadeira, não a minúscula Taiwan) é politicamente comunista e, por paradoxal que isso seja, assenta actualmente numa economia capitalista. Conjugação dos antagónicos ou farsa política?

 

Como pode um regime ferozmente totalitário conviver com uma economia liberal?

 

Que perspectivas de desenvolvimento endógeno existem num regime de Partido único?

 

O que acontecerá quando o proletariado perceber que o crescimento está a abrandar radicalmente, que as diversas «bolhas» estão a rebentar (por exemplo, as cidades fantasma plantadas no meio de nenhures só para que os dirigentes cumpram o plano ditado a partir do centro decisório), que as «grandes» investidoras estatais estão a falir (e a cair no controle directo de Pequim com sérios problemas pessoais para os dirigentes afastados dos cargos que vinham desempenhando) e que ele, proletariado, continua com 5 dias anuais de férias e está a ser silenciado para fingir que tudo continua uma serena maravilha apesar de o desemprego por aquelas bandas corresponder a abandono com 3 meses de subsídio não renováveis?

 

Quanto custa o funcionamento do Partido único e o das gigantescas Forças Armadas (segredos de Estado) e que política orçamental e monetária financia tudo isso?

 

A China está certamente muito próxima de perceber que se pode mentir durante algum tempo e engar algumas pessoas mas que é impossível mentir sempre e tentar enganar toda a gente.

 

Os castelos de cartas não são eternos nem a diáspora chinesa é estanque em relação aos que lá permanecem e cada vez se saberá mais que cá fora se vive em condições incomparáveis com o que por lá conseguem.

 

A China vai implodir e não tardará muito.

 

E depois?

 

Não tenho uma bola de cristal mas «cheira-me» que ficarão na China as empresas ocidentais cujas produções se destinem ao abastecimento do mercado interno, se esse ainda existir com algum significado depois de uma livre discussão política pluripartidária, depois de a moeda chinesa passar a valer o que deve valer e não o que os decretos determinarem, depois de existir liberdade sindical, depois de haver uma política monetária credível suportada por uma política orçamental transparente e não mais secreta como hoje acontece.

 

Resta por saber como ficaria tudo a partir do momento em que o Ocidente desistisse da China que, entretanto, se revelara o seu próprio algoz. A pergunta que se impõe é: o que será a China quando o comunismo cair? Eventualmente, uma «molhada de brócolos».

 

Só que, entretanto, não há folga enquanto o pau não nos sai das costas.

 

É que tudo isto, sim, merece ser corrigido condicionando seriamente o maligno que por aí continua à solta.

 

(continua)

 

Janeiro de 2019

Xangai-DEZ06-2.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(Xangai, 2006)

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