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A bem da Nação

ANDA COMIGO - 20

Agora que a cidade está no retrovisor e antes que me esqueça, devo dizer que prefiro Basel a Basileia porque esta versão aportuguesada do nome desta cidade suíça me faz lembrar uma geleia de um qualquer fruto ou mistela gordurosa feita com o pó do basilisco moído fino. E não vá isso fazer mal aos meus leitores que possam estar a contas com os diabetes, opto pelo nome original alemão, Basel, foneticamente mais agradável para o interior das minhas orelhas.

De Basel a Montreux são 165 quilómetros e isso fez-me lembrar que a Suíça não é assim tão estreita como nos possa parecer num relance sobre o mapa que a Senhor Professora lá tinha pendurado na sala das aulas. E porque desta vez íamos com mais pressa do que com vagar, de Montreux vi o lago Léman que se estendia a perder de vista à minha direita e à minha esquerda uma mansão pintada de creme com varandas convidativas para um drink ao pôr do Sol sobre as águas ali em frente, do outro lado da estrada. Lembrei-me também de que devia andar por ali o Festival de Música da cidade mas àquela hora não vimos ninguém nesses preparos festivos. Era cedo, o Sol ainda não passara por cima das montanhas por trás da mansão creme.

A estrada começou a ameaçar subir pouco depois de sairmos da cidade. Não faltou muito para que fosse mesmo estrada de montanha e o nosso destino era o Grande São Bernardo, dali a 80 quilómetros, para passarmos os Alpes e descermos para Itália. Tínhamos que chegar ao cume no pino do Sol para termos mais probabilidades de não apanharmos alguma borrasca que nos deixasse em aflições. Ainda faltavam umas décadas para que passassem a funcionar túneis pelas entranhas dos Alpes. E o nosso fidelíssimo «pão de forma» lá nos pôs nos píncaros dos monges da regra de S. Bernardo e donos do cão «Barry» que nos inícios do séc. XIX salvou, durante a dúzia de anos que trabalhou, cerca de 40 peregrinos em apuros na rota de Roma.

Lembro-me de termos parado lá no cimo para deixarmos algumas marcas territoriais mas não procurámos o mosteiro. A passagem da fronteira deve ter sido fácil pois não me lembro sequer dos Carabinieri que por ali estivessem.

A descida ao longo do Vale d’Aosta seria de 53 quilómetros até chegarmos à cidade de Aosta propriamente dita. Mas o nosso destino era o Castello di Pavone em Ivrea, propriedade do Dr. Ruy d’Andrade, pai do nosso Comandante, a 68 quilómetros depois da capital do vale, a meio caminho para Turim.

A parte baixa do vale é relativamente aprazível mas pergunto-me como é que há quem viva lá para cima. Deve ser para guardarem algum afluente do Pó enquanto menino. Só pode.

Fiquei cansado da subida suíça e da descida italiana. Hoje, fico-me por aqui, amanhã conto mais…

Maio de 2020

Henrique Salles da Fonseca

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