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A bem da Nação

ANDA COMIGO – 15

Já referi numa crónica anterior que o nosso professor de equitação (cujo nome esqueci rapidamente) participou no Concurso Hípico Nacional Oficial realizado em Verden enquanto lá estávamos. É claro que fomos assistir, não à prova do dito professor, mas apenas à mais importante que era disputada em duas mãos, uma antes da hora do jantar e a outra depois do dito. No intervalo, um desfile de bandas militares tão ao gosto alemão cuja apresentação, já noite cerrada, concluiu com o Hino Nacional no que foi acompanhado por toda a assistência de pé e que enchia por completo as bancadas do estádio municipal. Não sei o que aconteceu aos cantantes mas eu fiquei com um apertado nó na garganta. Joseph Haydn tinha um certo jeito para a música. Creio que a emoção que encheu o estádio tinha também a ver com o facto de, na sequência da derrota alemã na II Guerra Mundial, aquela parte da Alemanha Federal estar sob ocupação militar inglesa e, daí, um certo exacerbamento diplomaticamente admissível do nacionalismo. Tudo sereno, os cavaleiros ingleses que montavam bem, eram tão aplaudidos como os alemães. E a presença inglesa sempre era de alguma utilidade perante os russos ali tão perto, do outro lado da fronteira inter-alemã.

Noutra ocasião, passámos por um Concurso Regional em que participavam sobretudo cavalos novos com cavaleiros velhos (experientes) e cavaleiros velhos com cavalos novos. Estávamos a falar em português entre nós e um par de cavalheiros perguntou-nos delicadamente que língua estávamos a falar. À nossa resposta, logo um deles exclamou – Ah! Eusébio und sardinien! ao que o outro acrescentou – Amália! Naquelas épocas, diziam os brincalhões, os maiores símbolos de Portugal eram o Eusébio, a Amália Rodrigues, o então Capitão Henrique Calado e o Cardeal Cerejeira. Joking, of course.

Duma vez, fomos à sede da Coudelaria de Holstein, a cerca de 160 quilómetros a Norte, já a caminho da Península da Jutlândia, onde vimos cavalos à moda antiga, cavalões com 1,70 m. ao garrote e volume que os fazia parecidos com wagões dos caminhos de ferro, de garupa horizontal, raça a que pertenciam vários cavalos do nosso Exército e que competiam no «gordo». Lembro-me do «Palpite» (montado pelo Tenente Coronel António Pereira de Almeida) e do «Rovuma» (espero que um leitor me ajude a lembrar quem era o seu cavaleiro).

Doutra vez, visitámos o Depósito de Garanhões do Estado em Warendorf, a 200 quilómetros a Sul da nossa Escola, onde residiam os padreadores de todas as raças cavalares que o Estado Alemão considerava relevantes. Foi aí que vi pela primeira vez um cavalo a pesar mais de uma tonelada. É claro que se tratava de uma raça destinada ao tiro, não à sela, aquilo a que muita gente associa ao francês Percheron.

Como se vê, passeámos muito e, a pretexto dos cavalos, ficámos com uma vasta ideia da Alemanha então acessível a um ocidental. E ainda a procissão mal tinha saído do adro…

(continua)

Maio de 2020

Henrique Salles da Fonseca

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