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A bem da Nação

AMAZÓNIA – 2

 

 

Amazonrivermap_svg.png

 

Todos sempre ouvimos dizer que o rio Amazonas nasce nos Andes peruanos e que é o mais comprido em todo o mundo no seu longo percurso até ao Atlântico, ali não muito longe do Equador.

 

Mas na vertente onomástica não é assim: nasce nos Andes, sim, onde lhe chamam Ucayali sendo que à entrada no Brasil lhe mudam o nome para Solimões assim se mantendo até que, lá bem à frente, na zona de Manaus, se encontra com o rio Negro e só então e conjuntamente, assumem o nome de Amazonas numa amizade que se prolonga por cerca de 1800 quilómetros sem deixarem de unir esforços para vencerem a Pororoca não muito longe da foz.

 

Mas a verdade geográfica é a de que aquele curso de água é, de facto, o mais comprido do mundo. E tem ainda mais: há poucos anos descobriu-se que a verdadeira nascente é uns tantos quilómetros mais a montante do que se considerava até então pelo que o recorde mundial, se já era muito grande, aumentou ainda mais para uns impressionantes 7.025 kms desde a nascente até à foz (o Nilo tem 6.671 kms e o Mississipi 6.270 kms).

 

Só que não nos podemos referir apenas ao comprimento e devemos comparar também os caudais. Assim, o Amazonas tem um caudal médio de 209.000 m3/segundo, o Mississipi 18.000 m3/segundo e o Nilo tem uns «modestos» 2.830 m3/segundo. Para nós, lisboetas, termos uma ideia mais concreta, fiquemo-nos com a informação de que o nosso Tejo tem um caudal médio de 444 m3/segundo. Todos eles medidos na respectiva foz e, de acordo com a Wikipédia, com recurso à mesma técnica de medição.

 

Compreendemos deste modo por que razão os primeiros navegadores do Amazonas julgavam estar perante um braço de mar que entrava pela terra dentro. Foi preciso verificarem a salinidade para se deixarem de ilusões e terem que reconhecer que nunca tinham imaginado coisa assim.

 

A cena em que o avião nos poisou em Manaus tem, pois, uma dimensão que classifico de “mega” nas três dimensões em que habitualmente nos movemos mas também a quarta dimensão, a do tempo, tem algumas particularidades interessantes. E aí está a velocidade média das águas alcalinas do Solimões a ser registada na ordem dos 10 kms/hora assim transportando muitos materiais que não têm tempo de se sedimentarem e dando ao rio a cor barrenta opaca que o caracteriza enquanto as águas ácidas do Negro se deslocam apenas a cerca de 2 kms/hora assim deixando afundar tudo o que lá caia e dando ao rio uma aparência negra pela decomposição desses materiais lá no fundo. Eis como, conjugando as questões dos Ph’s, das velocidades e dos materiais em suspensão, se nos apresenta um espectáculo digno de nota na confluência desses dois prodígios da Natureza, o Solimões e o Negro, com as respectivas águas a não se misturarem e a correrem paralelas durante quilómetros e quilómetros Amazonas a baixo.

encontro-das-aguas-rio-negro-amazonas-foto-jplima-

 

 

Pororoca.png

 

E o que é a Pororoca que referi lá a trás? Pois é o resultado do confronto das águas do Amazonas com as do Atlântico assumindo a forma de uma onda que se desloca rio acima até por aí além... incitando muitos aventureiros a surfarem-na ao longo dos cerca de 50 kms que ela percorre e muitos barqueiros a evitarem-na porque ela não é uma onda vulgar, é semelhante a um tsunami que chega a ter 6 metros de altura e se desloca a uma velocidade de 30 kms/hora lançando o pandemónio nas margens que derruba.

 

Mas eu não fui meter-me com ela, deixei-a para os aventureiros e para as vítimas porque continuo a achar que com o mar não se brinca, porque não sendo propriamente sossegado também não sou surfista e sobretudo porque não tenho vocação de vítima.

 

Acho que o Amazonas tem aspectos mais benignos do que a Pororoca e desses contarei mais lá mais para a frente...

 

Até logo!

 

(continua)

 

Março de 2016

 

Chefe índio 2.JPG

Henrique Salles da Fonseca

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