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A bem da Nação

AMAZÓNIA – 1

 

Amazónia_SAPO5.jpg

 

Fui ao Brasil para confirmar que o Zica estava solto e que o Lula estava preso mas nenhuma das ocorrências se verificou: logo que cheguei a Manaus disseram-me que por ali não se registou até agora qualquer caso de padecimento causado pelo vírus e enquanto por lá andei, o debate jurídico-político foi muito tenso mas rondou apenas a destituição da auto intitulada «Presidenta» bem como a impugnação da golpada presidencial para arranjar estatuto especial que assegurasse a imunidade ao putativo gatuno.

 

Decididamente, a «Globo» tirou o tapete debaixo dos pés do PT, da «Presidenta» e do putativo. E quando a Rede decide levar uma campanha por diante, nada a pára. Assim foi que sempre que passei frente a um televisor, lá estava o canal 25 a contar as enormidades por que o Brasil tem passado sob a égide da mais desenfreada e abjecta corrupção. Atendendo a que, no Brasil, a «Globo» tem muito mais credibilidade do que o «Diário do Governo» ou lá como se chama o jornal oficial deles, as consequências são devastadoras para o Poder instituído. Um dos resultados imediatos desta campanha de desacreditação dos políticos com a mão na porta do cofre público é o aumento vertiginoso da economia paralela com o Contribuinte a fazer o mais que pode por fora da legalidade tributária gozando com um Fisco incapaz de chegar a toda a imensa parte onde a fuga acontece. «Para que vou eu pagar se o meu contributo vai por certo parar à mão dos gatunos?» – eis o mote que se ouve por todo o lado. Se a economia paralela cresce mais do que a fiscalizada e se dentro das grandes empresas estatais vale tudo menos deixar de roubar, o resultado fica à vista: o PIB dá um trambolhão, o défice público mostra as garras, o serviço da dívida encarece, a emissão monetária intensifica-se, a credibilidade da moeda fenece, a inflação floresce... E se ao cidadão comum começa a sobrar muito mais mês no fim do dinheiro, ai «Presidenta, Presidenta»... não digo onde vais parar porque o pudor mo impede.

 

Eis o Brasil que fui encontrar, eis o cenário que estava longe de desejar. Depois do que ouvi, creio agora que, quanto pior, melhor, para que os acontecimentos políticos avancem decisivamente e algo de muito significativo possa ocorrer e não mais seja necessário que a Oposição política e o Poder Judicial brasileiros venham reunir-se em Lisboa como que temendo represálias físicas lá dentro. E se esses temores são reais (durante esta minha breve estadia em solo brasileiro, um advogado que pedira a prisão de Lula foi assassinado no seu escritório por um matador que se fizera passar por cliente), então dá para perguntar onde está o Estado de Direito.

 

General Villas Bôas.jpg

 

Garanto que o General Villas Bôas, Comandante Geral do Exército Brasileiro, não foi a Manaus enquanto eu lá estava para me pedir opinião sobre os acontecimentos no país dele mas, em compensação, explicou-me que as Forças Armadas agirão apenas no quadro constitucional. Sim, fiquei bastante mais tranquilo pois quando lá cheguei vi jeitos de se envolverem todos num grande sarilho connosco, inocentes turistas, metidos na algazarra. O Exército não está de prevenção, está alerta. O que quer isso dizer objectivamente na terminologia militar brasileira? Ignoro mas admito que tenham apenas posto a bala na câmara. Na câmara da espingarda, ainda não na dos Deputados.

 

E porquê tanta relevância à quadrícula militar amazonense? É que é lá que está toda a estrutura de guerra na floresta (a tal que foi à Colômbia acabar com as FARC a pedido do Governo daquele país) a fazer a segurança do triângulo fronteiriço Brasil-Venezuela-Colômbia, região por onde o PT poderia ter a veleidade de pedir ajuda a um qualquer Maduro esquerdino das redondezas.

 

O que captei da mensagem do General ao Governo foi: não agiremos fora do quadro constitucional vigente mas não pensem que os vossos amiguinhos de fora podem entrar por aqui nem por qualquer outro ponto mais aberto da fronteira.

 

E eu fiquei muito mais tranquilo para navegar no Solimões e no Negro e me embrenhar na floresta a ver cobras, macacos e índios. Avisadamente, não me propus nadar com jacarés nem com piranhas.

 

(continua)

 

Março de 2016

HSF-Amazónia MAR16.jpg

Henrique Salles da Fonseca

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