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A bem da Nação

ACABARAM-SE PAPAS E BOLOS

 

 

 

Engodados por sabidões, houve-os então aos molhos que ainda hoje, passados 40 anos, cantam loas como se tudo não tivesse dado para o torto. Mas nós, os pagadores dos vícios assim criados, vemo-los carpirem o fim das papas e dos bolos e só não rimos porque a terapêutica também nos dói. Contudo, não tivemos culpas nos nossos bem humildes cartórios.

 

E o esforço árduo de alguns face às barricadas para correr com os sabidões só resultou, afinal, na asa livre para que os engodados na ribalta se armassem em heróis nesses idos de há quase 8 lustros e forrassem a tripa depois. Mas nós sempre achámos que mais valia gulosos do que bastardos.

 

Quem por certo se ri hoje são os sabidinhos, os filhos dos velhos sabidões já finados. Mas nós, os pagadores, continuamos a cumprir a razão de Mazarino quando questionado pelo seu Ministro da Economia, Colbert:

 

- Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres, os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.[1]

 

Sim, a sina que me saiu na rifa foi, pois, idealizada por Mazarino, Cardeal, o que não é trato menor. Mais valera que fosse simples frade com votos de pobreza e me vaticinasse sorte mais leve que esta de ter que pagar os vícios dos gordos e gulosos a quem não há papas nem bolos que saciem. E quando o padeiro e o pasteleiro lhes disseram que tomassem daquilo se quisessem mais fiados e lhes apresentaram a factura, logo eles bradaram «NÃO PAGAMOS!» e fomos mais uma vez nós, os profissionais da pagadoria, chamados ao reforço do cumprimento da nossa sina.

 

Mas os telejornais não se cansam de lhes dar tempos de antena, de os porem a apregoar o mal que lhes fazemos ao dizermos que NÃO queremos continuar a pagar-lhes as mordomias que eles próprios decretaram em causa própria quando estavam na ribalta.

 

 

 

Entre sabidões, bastardos, blasfemos e gulosos mórbidos, o coração dos eleitores portugueses baloiçou durante anos demais sendo que já não falta muito para que possa de novo optar. Mas eu não quero imaginar que possamos ir parar de novo às mãos dos blasfemos, dos bastardos, dos sabidões ou dos gulosos, todos eles mórbidos.

 

É que, aplaudidos por todos aqueles que beneficiaram da chuva de guloseimas, o coro de bastardos blasfemos mórbidos sabidões gulosos só cantará afinado se nós, os da pagadoria, não nos dispusermos a confirmar que BASTA! Ou será que os tolos somos nós?

 

A esperança reside na hipótese de que, idas as papas e os bolos às urtigas, a partir de agora já só se candidatem pessoas de bem.

 

Deos ridere, credo.[2]

 

 

 

Lisboa, 25 de Abril de 2014

 

 Henrique Salles da Fonseca



[2] - Os Deuses riem-se, creio.

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