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A bem da Nação

A REVOLUÇÃO COMUNISTA EM PORTUGAL E A CONTRA-REVOLUÇÃO PARTIDÁRIA – 6

 


UM ESTADO ONTEM REFÉM DA NOBREZA E HOJE REFÉM DOS PARTIDOS


Portugal a partir do séc. XVII nunca foi reajustado encontrando-se ciclicamente em derrocada como constatavam já Alexandre de Gusmão, Antero de Quental: “a nutrir pançudos”. Faliu em 1892, e depois sob penhora durante a I República tendo como consequência o golpe de Estado de 1926, altura em que Portugal se encontrava de novo na falência.


A primeira república desqualificou os ideais liberais e democráticos a ponto de chegar a produzir o provérbio “isto é uma república” com o significado de desordem e actualmente a "Isto é uma república das bananas." O regime de Salazar criou uma ditadura do “orgulhosamente sós”.


No tempo do “António Salazar” o pensamento era censurado, no regime do 25 de Abril é penteado pelo pensar politicamente correcto, propagado pelo espírito do tempo e laqueado pelos mass media.


O que se dá com as revoluções portuguesas é o mesmo que se tem dado com os governos: é uma alternância dos senhorios do Estado português; antes nas mãos da nobreza e depois nas mãos dos burgueses e novos-ricos. Transmitem-se os mesmos vícios num conluio de conservadores e progressistas. A Ditadura Nacional (1926-1933) termina em 1933 com a Constituição de 1933 e início da II República (Estado Novo) até ao golpe de estado do 25 de Abril de 1974. A Constituição de 1976 estabelece a democracia partidária. Nesta III República repetem-se os erros tradicionais e estende os seus tentáculos de polvo partidário e ideológico governa o país com leis e decretos ao sabor do tempo e das influências.


Antes para servir nobrezas e burgueses insaciáveis, depois para servir as bocas partidárias e de irmãos maçónicos boçais.


Um povo que não cresce organicamente vive dos golpes de Estado (revoluções) que além de ajustes de contas se revelam num acerto ao tempo. Vivem de uma lei fora de lei. Velhacos metem a mão à bolsa dos velhos e aos novos pede-se-lhes para emigrar.


À beira da falência em 83 salvou-o a EU mas a megalomania esbanjadora de querer viver à grande europeia mas com uma economia de terceiro mundo – uma economia de grandes para grandes – só que depois o desflorou com a Troika em 2011. Amoral encontra-se também ela em processo de emancipação, a consciência passa a ser opinião destilada nos alambiques dos interesses grupais.


O povo e a massa cinzenta ocupam-se, à maneira tradicional, da comparação e do maldizer dos novos velhos usurpadores, esquecendo que a situação é de tal desespero que conduziria, a ser tomada a sério às conclusões e trágico fim de um Antero de Quental. Do seu Olimpo sob o sol do desespero a opinião elucidada (tuba canora) julga da justiça social. No Olimpo tudo é grande, nele a grandeza supera a corrupção, tudo passa a ser normal. Onde não há moral não há direito. Por vezes, parecemos povo, filho de pai incógnito continuamente a olhar para o governo, esperando reconhecer nele o pai. Diz-se o que não se pensa, pensa-se o que não se diz!


FIM

 António da Cunha Duarte Justo

Formado em Ciências da Educação (Português e História)
Conferência proferida na sede da ARCADIA a 4 de Abril de 2014

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