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A bem da Nação

A PONTE "SALAZAR", POR ALCUNHA "25 DE ABRIL"

 

Ponte Salazar.jpg

 

 Nas suas interessantes retrospectivas de notícias importantes que ocorreram no período de 150 anos de existência, que comemora em 2014, o Diário de Notícias (DN) relata, em 14 de Agosto de 2014, a inauguração da Ponte Salazar, ocorrida em 6 de Agosto de 1966. O DN do dia 7 desse ano relatava, na primeira página e com uma grande fotografia: "Inaugurada a Ponte Salazar. Cem milhões de europeus viram pela televisão a maior e a mais bela ponte do velho continente".

Pouco depois do 25 de Abril de 1974 e logo que a ditadura militar - quem tudo mandava era o MFA – foi substituída pela ditadura militar comunista de Vasco Gonçalves – leia-se Moscovo – a fúria destrutiva de tudo o que a anterior ditadura tinha feito de bom iniciou-se com grande intensidade. Dentro dessa fúria destruidora, foi arrancado do bloco de amarração dos cabos da ponte o nome de Ponte Salazar e substituído por Ponte 25 de Abril.

Em pura dedução minha, mas baseada em sinais que se me afiguram fidedignos, penso que essa acção teve dois objectivos: apagar a memória do que a outra ditadura tinha feito de bom e fazer crer, especialmente aos jovens nascidos já depois do 25 de Abril, que algumas dessas realizações foram obra da actual ditadura. Esta última dedução encontra apoio, pelo menos num facto. Sei do caso de uma pessoa que, comentando que o nome de Ponte 25 de Abril era para dar a ideia de que fora construída depois da revolução, ouviu de uma jovem: "Então e não foi?"

A alcunha é um nome que se aplica a quem já tinha um nome de batismo. Assim, pode dizer-se que a Ponte Salazar tem agora a alcunha de Ponte 25 de Abril.

Mais uma vez digo, a todos os que clamam que vivemos em democracia, que, então, a culpa do estado desgraçado do país, é deles. Antigamente, sem haver eleições livres, a culpa de todos os males era de um ditador. Em democracia a culpa é dos cidadãos que, podendo escolher quem manda, elegem tão maus governantes.


 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 16 de Outubro de 2014

 

Prof. Miguel Mota

Miguel Mota

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